Os Heróis e o Método: Boa viagem a todos!

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Devendra Banhart – Smokey Rolls Down Thunder Canyon (2007, XL Recordings)
Esta semana dei boleia a este disco e reparei que continua a ser uma boa companhia. Devaneios folk cheios de charme, postura rock lo-fi, viagens sonoras que se estendem até à América do Sul (algumas músicas são cantadas em espanhol). Um trabalho rico instrumentalmente, com espaço para algum psicadelismo que não suja a imagem de um crooner com cara de hippie malandro. Este é um dos trabalhos mais ambiciosos e variados do Devendra, contando com alguns convidados como Gael García Bernal, Nick Valensi dos Strokes ou o Rodrigo Amarante dos Los Hermanos. Há quem tenha feito comparações entre o Devendra e o Caetano Veloso, o que vendo bem as coisas não é assim tão disparatado quanto isso.

 

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Father John Misty – Fear Fun (2012, Sub Pop)
J. Tillman para além de ter sido baterista dos Fleet Foxes, já lançou vários discos a solo. Este Fear Fun, não se distanciando demasiado do que já tinha sido gravado, é a primeira incursão como Father John Misty. Para além de um conjunto de letras dilacerantes (em certos casos num limbo trágico-cómico), no seu âmago apresentam um homem na procura de si mesmo. Tillman demonstra um talento enorme em criar arranjos subtis mas que tornam o seu folk rock viciante. Um exercício introspectivo que se encontra com a música country, com o psicadelismo dos anos 60/70, com os malditos blues e por fim deixa-se cair na cama feita de sossego folk.

 

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Morbid Angel – Gateways To Annihilation (2000, Earache Records)
Death Metal com as garras a arrastarem-se no braço da guitarra num som grave que mantem uma constante procura por variações entre tempos mais pausados e acelerações rítmicas. Os solos de guitarra e o cardápio da bateria são vertiginosos e quando se ouvem as vocalizações achamos que das catacumbas é difícil sair algo tão pujante (os Nile são um bom exemplo na recuperação da coesão instrumental dos Morbid Angel). Ainda e sempre, poderoso.

 

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Thee Oh Sees – Sucks Blood (2009, Castle Face)
Já escrevi aqui sobre este grupo, no entanto penso que este disco também merece algum destaque (a par de outros trabalhos como The Master’s Bedroom Is Worth Spending a Night In (2008) e Help (2009)). Sucks Blood praticamente foi o trabalho que despoletou o nonsense lo-fi que fez deste grupo um dos mais interessantes grupos rock da actualidade. Garage tocado com descontracção, alguns efeitos (fuzz e reverb) deitados na espreguiçadeira, pop e música psicadélica. Apesar deste trabalho ser o mais focado e menos experimental, não é por isso que perde o aspecto de quem esteve em Marte e não regressou com a melhor cara.

 

Terminando ainda com alguma self-promotion – um livro no qual participei e que vê agora a luz da edição.

O motor propulsor foi simples: e se quatro pessoas escrevessem um conto sobre uma estação de comboios e uma estação do ano?

O resultado chama-se “Quatro Estações de Caminhos Cruzados”, foi publicado pela Chiado Editora, ao qual se juntaram as ilustrações de Henrique Salgueiro e o prefácio do Urbano Tavares Rodrigues.

A lista dos contos é a seguinte:
A meio caminho da Estação Velha – Miguel Raimundo (Coimbra, Inverno)

Viagem a Preto e Branco – Pedro Nunes (Guimarães, Primavera)

Anotações do Verão do Eterno Retorno – Helena Nogueira (Évora, Verão)

O fim da linha – Sílvia Ribeiro (Lisboa, Outono)

O livro custa 10 euros (portes incluídos). Encomendas podem ser feitas para agricultoresdeideias[arroba]gmail[ponto]com

 

Boa semana a todos!

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