Os Heróis e o Método: …do garage rock à celebração da música negra

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Ty Segall & White Fence – Hair (2012, Drag City)

O Garage Rock, bluesy e psicadélico, encontrou em Hair um dos discos do ano. A marca registada de Ty Segall, capaz de criar músicas que ficam no ouvido ao mesmo tempo que as suja na lama, com delays, fuzz e outros brinquedos sonoros, mantém aqui a boa forma. Desta vez juntou-se a Tim Presley (de outra grande banda de Garage, os Strange Boys) e juntos ergueram uma ode aos seus heróis rock – e que compêndio – tanto podemos ouvir explosões de raiva da escola Grunge, como a seguir ajeitamos o cabelo com rockabilly e  ainda temos guitarras em delírio num perfeito rock à anos setenta. Dos Beatles aos T-Rex, este disco tem a força e a vitalidade para se tornar num clássico.

 

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David Sylvian – Manafon (2009, Samadhi Sound)

Tenho pacientemente andado a ouvir este disco do David Sylvian, que funciona bem em locais sossegados, para que a voz dele possa ocupar cada linha recta da nossa casa. Um trabalho de detalhes, encontramos aqui vários estilos como o jazz, algum ruído, sons electro-acústicos e variações avant-garde.  Nesta floresta aparentemente calma encontramos músicos como o Evan Parker, Toshimaru Nakamura, Keith Rowe, Christian Fennesz entre outros. Sylvian mantém-se num registo quase spoken word, onde a sua voz grave mostra-se aliada do silêncio, enquanto nas divisões ao lado mora o desconforto da música experimental.

 

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Lil B – I’m Gay (I’m Happy) (2011, Based World)
Esta malta do hip hop meteu-se nas mixtapes, arriscando montanhas de lançamentos, num mundo onde a informação torna-se rapidamente vã nos mares da internet. Felizmente que alguns destes trabalhos ressoam o suficiente para que haja algum ruído e feedback positivo. No caso de Lil B é totalmente merecido, até porque este é um trabalho fantástico, o bom gosto no uso de samples/beats é intocável, cheio de soul, groove, música negra (começando logo pela alusão da capa feita a Marvin Gaye) a transpirar por todos os poros. Afundanço cheio de estilo.

 

Esta foi ainda a semana de esperar ansiosamente pelas memórias de Neil Young, no livro Waging Heavy Peace.

 

 

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