Os Heróis e o Método: do movimento Tropicália à manifestação do Rock

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Luiz Melodia – Maravilhas Contemporâneas (1976, Som Livre)
Para quem gosta de música brasileira e de nomes como Jorge Ben, Seu Jorge, Jards Macalé ou Tom Zé, deve conhecer Luiz Melodia. Apesar de ainda se notar aqui alguma influência do movimento Tropicália (ou música psicadélica com demasiadas horas de sol na cabeça), Melodia vai explorando e adicionando cores ao Rock, do Blues ao gingar do Samba, do Rock dos anos 60/70 que Roberto Carlos imortalizou em O Calhambeque à Bossa Nova. Cada tema tem o seu arranjo próprio, ouvem-se secções de metais, batucada, sintetizadores etc. Enfim, o nome do disco ainda faz todo o sentido.

 

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Sex Church – Growing Over (2011, Load)
A libertinagem do rock saiu à rua, apregoando guitarras raivosas como fizeram os Birthday Party. Um disco de Pós-punk com vozes cavernosas a lembrar os ecos dos anos 80. Um dos elementos que se destaca neste trabalho tem a ver com a produção final, que atira o baixo para a linha da frente e deixa as guitarras mandarem na distorção. Os Sex Church diferenciam-se por ficarem a balançar em ritmos mais lentos quase psicadélicos, em vez de carregarem no acelerador do Garage Rock mais pesado.

 

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Sealings / Lois Magic – Split (2011, Free Loving Anarchists)
Se quiserem punk ruidoso (quase no limite do noise) injectado de efeitos e distorção de primeira qualidade, então encontraram duas excelentes bandas para vos mostrarem o caminho (sobretudo estes Sealings). A escola Stooges é incendiada sem direito a resposta, num registo mais rápido e duro do que os Thee Oh Sees alguma vez fizeram. Do outro lado encontramos os Lois Magic que mantêm os pedais em baixo, arriscando um registo quase Shoegaze, aliás a fórmula dos My Bloody Valentine distorcerem maravilhosas melodias é bem explorada aqui. Search and Destroy!

 

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The Gilbertos – Os Eurosambas 1992-1998 (Midsummer Madness, 1999)
Thomas Pappon é o músico brasileiro que também encarnou o grupo Fellini e após ter ido para a Europa, decidiu gravar um disco que resulta numa miscelânea cultural. Se por um lado a gravação é lo-fi (gravação caseira com direito a caixa de ritmos e tudo a que tem direito), alguns temas parecem ocupar um não-lugar, entre a tradição brasileira e a experimentação que tão bem fez Arto Lindsay. Aqui temos músicas maioritariamente acústicas, sempre com as saudades de casa, numa carta escrita à tradição de João Gilberto. Um exercício pop que procura arranjos e melodias diferentes, procurando inquietar no quase silêncio, lembrando outros nomes brilhantes da música brasileira como o de Walter Franco.

 

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