Os Heróis e o Método: Sons da Semana

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Nesta semana rodou o disco “Ultraglide in Black” dos The Dirtbombs, malta de boas famílias que têm aqui um clássico de Soul e Garage Rock. Pena que o último disco deles, “Party Store” tenha resultado numa tentativa falhada de interpretar o Techno de Detroit.

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Em modo quase viciante rodou o “Instrumentals” de Clams Casino. Disco disponibilizado gratuitamente online e que foi lançado em vinil pela Type, casa de alguns mestres da música ambiental experimental – Deaf Center; Khonnor; Julien Neto; Goldmund; Svarte Greiner etc. O que temos aqui são músicas de Hip Hop injectadas com hélio e uma construção inteligente de batidas e ambientes relaxados. Agora que o Dubstep já não provoca inquietações na tentativa de o definir – enquadram-se aqui outros domínios como a Witch House ou Illbient.

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Houve inquietações jazz dos Kilimanjaro Darkjazz Ensemble, com o seu “From the Stairwell”. Disco negro onde os ambientes vão sendo moldados através de toques inteligentes de música progressiva e instrumental. Não é um disco que vá recorrer muitas vezes, até porque não atinge a sublimação de uns Bohren & der Club of Gore, nem a levitação dos Cinematic Orchestra, mas em todo o caso é um bom trabalho.

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Esta foi também a semana de bater o pé à coletânea da Soundway, “Cartagena! Curro Fuentes & The Big Band – Cumbia and Descarga Sound of Colombia 1962-72”. Faz-me querer praia e cervejas geladas que nos acompanhem nas risadas à vida.

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Houve ainda tempo para parar e ouvir o Stoner Rock musculado dos barcelenses Aspen – espero que a caminhada desta malta seja tão auspiciosa como a dos Black Bombaim.

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No campo das descobertas, rodou generosamente a coletânea dedicada aos Peruanos Los Belkings, “Instrumental Waves (1966-1973)”. Surf Rock, Melodias exóticas e outras variações de rock instrumental, quase sempre sustentado em guitarras e com músicas que se tornam viciantes.

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Soube-se também que a editora de Giuseppe Ielasi, a Senufo, começa a dar sinais de vida, com três lançamentos todos partindo do uso de cassetes e de gravadores.

senufo edition # twenty three: allon kaye ‘tiny fascinator’ cassette
senufo edition # twenty four: stephen cornford ‘binatone galaxy′ cd
senufo edition # twenty five: dakim ‘34 fragments’ cd

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Entrou-me no ouvido o “Share the Joy” das Vivian Girls, mostrando que o rock está bem entregue nas mãos destas raparigas, trazendo memórias dos Best Coast, Electrelane, The Breeders etc.

A merecer também destaque nos últimos dias: Tim Hecker – Ravendeath, 1972: mestria na construção de ambientes cheios de nostalgia e uso inteligente de ruídos eletrónicos e arranjos clássicos. Trap Them  – Darker Handcraft: Metalcore super bem produzido, com a força necessária para escurecer palavras de revolta e agitação.

Não podia terminar com a inquietação que me provocam tentativas políticas de condicionarem aquilo que ouvimos e aquilo que fazemos na Internet. Temos o SOPA, PIPA e ACTA. Todos com as mesmas intenções pouco democráticas e pouco abertas ao diálogo público. Por debaixo da mesa tenta-se construir modelos que passem até pelo policiamento feito por quem nos fornece Internet.

Vídeo ilustrativo da ACTA

Destaque para o Brasil e Índia que se recusaram a assinar princípios de acordo no que diz respeito a esta matéria.

Boa semana a todos!

Comentários

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  1. André

    Ando numa relação estranha com o ambiental, completamente sem paciência. O que ouço de electrónica tem que me dar algo mais – Alva Noto, Byetone, Frank Bretschneider. Basicamente, a Raster Norton e derivados andam muito presentes nas minhas tracklists.

    Os Los Belkings são os Beach Boys do Peru?

    Vivian Girls cansaram-me ao vivo, não arrisco em disco.

    Tim Hecker sempre enorme, Trap Them não bateu.

  2. Pedro Nunes

    Bretschneider é muito fixe.
    A Raster tem cenas porreiras outras nem sempre batem. Com tanta música acessível a todo o momento, é preciso um ouvido atento e a disposição certa para determinado disco exigir ficar vários dias a rodar… Não é fácil a triagem e sobretudo com a carrada de discos a sair nos meandros do ambiental/drone/experimental. Qualquer pessoa pode fazer umas cenas e colocar logo no soundcloud etc…. o nosso filtro da qualidade tem que se manter firme….

    Los Belkings é um bocado nessa linha…
    Vivian Girls e Trap Them são prazeres passageiros.
    Tim Hecker está em grande forma com dois discos excelentes em 2011.

  3. Pedro Nunes

    Tens razão, um deles não é propriamente um longa duração, mas estava a contar com:

    Ravedeath, 1972
    Dropped Pianos