Os Heróis e os Métodos: A Bossa que amanhece outros pulsares mais violentos

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Johnny Alf – Diagonal (1964, RCA-Victor)
Um dos clássicos da Bossa Nova, um nome incontornável do estilo e uma influência para músicos como Tom Jobim, João Donato etc. Voz grave e aveludada (enamorando com todas as palavras), muito ritmo naquele balanço próprio da música popular brasileira. Johnny soube enriquecer cada tema, ora com instrumentos de sopro, ora com pequenas variações jazzísticas (o órgão dá uma textura diferente a alguns temas) que tornam ainda mais especial este disco. Música que exulta a vida e que nunca deveria ser esquecida.

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VA – The Minimal Wave Tapes Vol. 2 (2012, Stones Throw)
Ainda não tive a oportunidade de ouvir o primeiro volume, mas pela colheita aqui feita, será algo a coleccionar em breve (até porque será difícil poder obter estas músicas noutro formato). Penso que o nome diz tudo, electrónica minimal, electro old-school, música muito centrada nas caixas de ritmo e com algumas texturas vindas directamente da escola kraftwerkiana – dos sintetizadores às vozes robóticas. Alguns temas invocam uma certa sensação de alienação, no entanto todos eles afirmam-se eficazes para uma festa que teria tudo para se tornar estranhamente interessante. Referência ainda para o facto de que algumas das escolhas acabaram por recair em artistas de países diferentes, como França, Bélgica, Canada, Itália etc., traduzindo-se numa excelente palete de sons.

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A Certain Ratio – Early (2002, Soul Jazz Records)
Considerando o dito som de Manchester, os A Certain Ratio foram percursores na inclusão de ritmos de dança no seu rock (com costela punk). Influentes no que bandas como os  LCD Soundsystem, ESG ou Liars vieram a fazer mais tarde. Impossível não pensar no contributo dado pelos A Certain Ratio na definição de um rock extremamente rítmico e sustentado pelo pulsar do funk (baixo e bateria a agitarem tudo o resto). Vindos de Inglaterra provavelmente o meio fez com que a sonoridade da banda guardasse alguma negritude utilizada por nomes como os Joy Division, sobretudo em certas linhas vocais. Este disco reúne o melhor do período 78-85 e é o objecto ideal para perceber a influência que estes músicos tiveram e que ainda hoje se sente…

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Black Bombaim – Titans (2012)
A esta altura já é praticamente claro que o novo disco dos Black Bombaim estará na lista dos melhores do ano. As jams mergulhadas em música psicadélica têm tudo para nos entreter durante muito tempo. Aqui não faltam solos e devaneios suficientes para agradar ao fã mais exigente de uns Grand Funk Railroad. Depois é no metal e stoner rock que ocorrem explosões sonoras (basta pensar nuns Kyuss a improvisarem longos temas com os Hawkwind). Escusado será dizer que as participações neste trabalho fazem dele um apetecível clássico, logo a começar pelo Adolfo Luxúria Canibal numa intervenção mordaz como já não se ouvia há algum tempo, Issaih dos Earthless (outra banda de certa forma comparável aos Black Bombaim), Noel Harmonson (Comets on Fire, Sic Alps), Steve Mackay e o seu saxofone (The Stooges), Tiago Pereira (Aspen) entre outros. Umbigos à parte, sem dúvida que temos por cá uma das grandes bandas stoner/metal/psych da actualidade e o trio está de parabéns por uma afirmação da sua maturidade e pelo atingido até aqui. Se tivesse que apontar algo negativo ao disco, diria que é demasiado longo.

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