Os Heróis e os Métodos: ..das cordas que embalam os extremos…

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Jack Rose – The Black Dirt Sessions (3 Lobed, 2009)
A música tem a capacidade de nos curar, de agudizar males… tem a capacidade de juntar culturas e de enfrentar línguas e símbolos. Jack Rose foi um músico que morreu cedo, que tive a oportunidade de ver ao vivo, alguém para quem as cordas da viola eram uma forma de prolongação da vida. Jack foi o Ravi Shankar da guitarra acústica.

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The Dead C – Patience (Ba Da Bing!, 2010)
Os Dead C continuam a ser um nome incontornável na desconstrução rock, seja pelo abordagem livre e experimental das guitarras em distorção, como dos ritmos que incendeiam em repetições e extravasão sónica.  Longos temas que explodem em fervor e que nos prendem como “mantras” superiores de ruído psicadélico. Potente.

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Locrian – The Crystal World (Utech, 2010)
Quando em 2000 os Mayhem lançaram o “Grand Declaration of War” estava lançado o mote para o Black Metal abraçar também a música experimental (entre outras latitudes). Desde aí outros nomes fizeram-no com ainda mais qualidade como os Ash Pool, Axis of Perdition, Blut aus Nord, Bone Awl etc. O negro gélido representado através da distorção abrasiva manteve-se, abrindo portas à exploração de ambientes que transformaram o Black Metal num estilo mais variado (e aceite por diferentes apreciadores de música). Os Locrian são um exemplo de qualidade nesta transformação do grotesco, tanto fermentam drones e pequenos ruídos como abrasam as nossas colunas com distorções e devaneios experimentais.

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Koen Holtkamp – Field Rituals (Type, 2008)
Koen Holtkam é uma das metades do grupo Mountains e o nome deste disco diz quase tudo – captação de sons do dia-a-dia, manipulação dos mesmos formando drones, o uso de instrumentos acústicos e a sensação que estamos constantemente a viajar por paisagens sonoras acolhedoras. Há ainda o aproveitamento de pequenos ruídos de circuitos e sintetizadores que se vão repetindo e criando ambientes em levitação. Um disco recomendado para quem gosta de Tim Hecker, Stars of the Lid ou simplesmente a música de Brian McBride.

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James Blackshaw – The Glass Bead Game (Young God, 2009)
Lembro-me perfeitamente do dia que me obrigou a uma enorme correria por entre cortejos de estudantes universitários, transportes demorados, para poder chegar a uma loja de discos e ouvir um pouco da música do James Blackshaw. Era-mos poucos, a namorada dele esperava sentada em cima do estojo da guitarra, enquanto se deu um micro-concerto. Mais tarde, quando na Tertúlia Castelense tivemos o James a dedilhar a sua guitarra, tivemos um ato generoso de magia, cada uma das cordas que vibraram nos seus dedos tornaram-se por momentos maiores. Neste disco temos ainda abordagens ao piano em criações maravilhosas.

Boa semana a todos!

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