Os Heróis e os Métodos… das várias selvas onde vivemos…

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Ben Frost – Theory of Machines (2007, Bedroom Community)
Neste disco temos drones, ritmos em choques titânicos (maquinais e industriais), algum noise (ruído minimalista que lembra os Pan Sonic) e uma sensibilidade rock/melódica que não está muito longe do que no passado fizeram grupos como os Nine Inch Nails ou os Einsturzende Neubauten. Toda a música veste-se de uma toada ambiental sombria. Em “We Love You Michael Gira” não será difícil lembrar o legado dos Swans e o seu expressionismo rock, cru, repetitivo, em alguns pontos quase masoquista. A música de Ben Frost tem um pouco disto tudo, incluindo uma beleza antagónica que nos agarra como se de uma viúva negra se tratasse.

 

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The Beach Boys – Smiley Smile (1967, Capitol)
Um ano após o lançamento do clássico absoluto Pet Sounds e após a marcha atrás no lançamento de Smile,  estaria este disco destinado a ser alvo da ressaca ou vítima de análises pós-clímax? Smiley Smile mantém em alta a genialidade deste grupo. Uma selva Pop-rock (há quem lhe chame de pop baroque pelo seu lado mais faustoso e dramático) lançada em 1967, ano em que os Beatles editaram a sua fanfarra excêntrica “Sgt. Peppers’s…”, no ano em que os Pink Floyd foram ao espaço com o seu “The Piper at the Gates of Dawn” ou no ano em que o Zappa derrotou alguns psiquiatras com o seu “Absolutely Free”. Aqui não faltam as melodias rock a várias vozes que caracterizaram o grupo, há também uma riqueza na inclusão de diferentes instrumentos e estruturas (poderiam bem caber aqui várias “Bohemian Rhapsody”) – os Animal Collective de certeza que beberam desta fonte durante muito tempo. Em suma temos uma certa dose de absurdo, que bem poderia servir de banda sonora para uma cruzada dos Monty Python selva adentro.

 

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Fela Kuti – Up Side Down (1976 M.I.L. Multimedia)
Apesar de minha tentativa entusiasta de ouvir (e se possível possuir) o maior número de discos possível do Fela Kuti, a verdade é que se torna previsível a minha reação a cada trabalho novo que escuto – poderia ser provavelmente uma daquelas personagens que está sempre a bater palmas a tudo – é tudo bom! Este disco reúne dois longos temas de desvario Afrobeat, muito Jazz Funk, uma secção rítmica com várias camadas e a voz de Sandra Akanke Isidora que vem aqui dar outra sensualidade à massagem auditiva que é o saxofone de Fela. Música africana capaz de fazer abanar a anca a uma múmia.

 

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Japan – Oil on Canvas (1983, EMI)
Para disco ao vivo, este trabalho mostra-se muito polido, o som do público serve quase apenas como interlúdio a cada uma das músicas. Quanto ao resto, temos um híbrido art-rock, esculpindo a sonoridade de grupos como The The ou Genesis. A estrutura dos temas é quase toda feita à base da complexidade rítmica baixo/bateria, vestindo assim as vestes soturnas dos oitentas (Echo and the Bunnymen etc.). Nos Japan cabe ainda o lirismo calmo e melódico que David Sylvian levou depois para a sua carreira a solo. Música que se revela entre o exotismo e os sons do oriente.

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