Os Heróis e os Métodos: …desta terra de raízes que nos dá bons cogumelos.

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Bassekou Kouyate & Ngoni ba – Segu Blue (2006, Out Here Records)
A música do mundo tem a capacidade de nos “transportar” para lugares distantes, de nos fazer absorver diferentes instrumentos, sons, diferentes línguas e culturas. Por vezes a música pode-nos soar a um “lugar estranho”, mas noutros casos pode tornar-se numa experiência de engrandecimento pessoal, como se estivéssemos a sentir a fortuna ao ouvir determinado momento, a absorver algo que nos toca e que de outra forma poderia permanecer para sempre distante. Aqui temos uma pérola da música Folk do Mali, música de povos que muitas vezes são obrigados a serem sempre nómadas, mas que não deixam de cantar as tradições e de relembrarem as suas raízes. O instrumento preponderante neste trabalho é um antecessor do banjo, chamado ngoni (em diferentes formas). Um disco para nos “encher” os auscultadores. Para os interessados podem ler aqui a biografia resumida do Bassekou Kouyate.

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Demdike Stare – Voices of Dust (2010, Modern Love)
“Voices of Dust” é um objeto maquinal e tortuoso. Uma grande fábrica sonora onde são trabalhados drones graves, feedback, estática, sintetizadores e muito ritmo com patente do techno minimalista. A manipulação de loops (cânticos, rituais, etc.) dá a este trabalho uma textura exótica/estranha. Alguns destes ambientes enquadram-se perfeitamente na música de Phillip Jeck, Gas ou do “maquinista” Keith Fullerton Whitman.

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Burning Spear  – Marcus Garvey (1975, Island Records)
Se há estilo musical que me serve de regalo, é o Reggae na sua vertente – deitado na espreguiçadeira – ou seja, o Dub. Divirto-me bastante a ouvir músicos talentosos como Wayne Jarrett, o obrigatório Scientist, Horace Andy, o maluco Dr. Alimantado, a voz açucarada de Junior Delahaye, Johnny Osbourne e muitos outros. As vibrações são as mesmas, os ritmos lentos e o pulsar da boa vida, tudo em viagens que cabem no melhor cocktail de sempre. Burning Spear é mais um nome a figurar na minha lista de boas colheitas Dub.

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Lila Downs – La Cantina – Entre Copa y Copa (2006, EMI)
A mexicana Lila Downs é uma das melhores vozes femininas da música do mundo. As suas criações estão enraizadas em histórias de vida, umas mais tristes, outras celebradas, tudo pintado a partir de uma palete onde cabem estilos como a folk, bolero, etc.  Um disco variado (em alguns pontos em demasia) sustentado por uma artista diferente que tem na voz as cordas que fazem a diferença.

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Ariel Pink’s Haunted Graffiti – Scared Famous (2007, Hall of Records)
A história seria mais ou menos assim: um tipo decide passar o Carnaval em Singapura  Perdido, decidiu entrar no bar com mais luzes e neons no exterior. Lá dentro o bafo era decadente e as paredes suavam… A música tremia numas colunas foleiras, ao que tudo indicava estavam a passar clássicos pop/rock americanos em versão lo-fi(ou de qualidade duvidosa) – de qualquer forma a coisa ainda ficava mais estranha com o karaoke que se ouvia do bar do lado. Após doses consideráveis de álcool  disfarçado de bebida, entra no bar o Frank Zappa mascarado de Ziggy Stardust, vira-se para o protagonista da história e diz sorrindo: “está uma noite psicadélica ah?”. Ao que este responde: “Frank pá, está uma noite boa para mostrarmos à morte que a nossa loucura ainda se vai acabar por rir dela hoje.” Música psicadélicolorida!
Em jeito de Bónus:

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Boa semana!

Comentários

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  1. André

    Como já nos habituaste, grandes sugestões sonoras!

    De referir apenas que tenho uma relação bem longa com os Demdike Stare e ainda não nos conhecemos bem…

  2. Pedro Nunes

    Demdike Stare (a última palavra quase sempre sai-me do teclado como “Satre”, acho que faz algum sentido), compreendo o que dizes, já ouvi muito mais deste projeto do que a porção de temas que me conquistarem. É um som que nem sempre bate, mas também há por aqui temas bons.