Os Heróis e os Métodos – Lord Mantis

Lord Mantis – Death Mask (2014, Profound Lore)

Após um disco mediano em 2012 chamado “Pervertor”, os americanos Lord Mantis voltam à carga com um cavalo de troia de aço, Black Metal e Sludge chamado “Death Mask”. Um trabalho que serve de tareia bem dada para quem, como eu, achava que esta batalha estava mais que perdida.

O grupo apresenta credenciais firmadas na cena underground de Chicago, estendendo a sua influência/ação a grupos como Indian, Nachtmystium, The Atlas Moth ou Yakuza (alguns dos músicos participam ou participaram nestes projetos, entre outros).

A forma deste disco é feita de distorção e algum ruído, vociferações impiedosas, Sludge bem balanceado, ataques rápidos e apontamentos experimentais/ambientais que permitem que se respire antes do fim.

Os Lord Mantis contaram com a ajuda de Sanford Parker (mestre em grupos como Buried at Sea e Minsk) que deu uma ajuda com alguns efeitos e sintetizadores e também contaram com a participação de elementos dos Indian que emprestaram igualmente os seus dotes musicais. Estas participações contribuem para uma maior dinâmica no som dos Lord Mantis, seja a operar cirurgicamente detalhes noise/industrial através de sintetizadores modulares e outros efeitos, ou decorando a besta com algumas melodias e ambientes de curta contemplação (uma espécie de lado belo do grotesco).

Outro elemento que salta ao olhar para este disco é a capa, criada por Jef Whitehead (também conhecido pelo seu projeto Leviathan).

Se por um lado temos bandas como Deafheaven, Altar of Plagues ou Locrian que através de capas belas e minimalistas, conseguem despertar a atenção para universos sonoros muito próprios e desafiantes, por outro é factual que a imagética provocadora do gore, dos filmes de terror etc., sempre fez parte do Metal – vejam-se exemplos como Cannibal Corpse, Autopsy ou Exhumed.

É também verdade que nem sempre a vontade de provocar se tem ficado pelo aspeto gráfico, basta pensar nos ditos pouco católicos de Glen Benton nos Deicide, os Akercocke que apresentando-se de fato e gravata davam uma de empresários do chifrudo… A lista podia continuar, o sadismo dos Carcass, a obsessão por serial killers dos Macabre etc.

O metal sempre teve elementos transgressores e alguns deles para além da minha compreensão/aceitação.

Como em qualquer manifestação artística, a liberdade que é sempre do criador, acaba mais tarde por passar pelo crivo fronteiriço de quem se “apropria” dela, quem a ouve, vê, sente. Esse ato é também refém de credos, contextos, perspetivas, etc.

O metal nas suas várias articulações não se tem esquivada da função de provocar, de agitar consciências, de fazer pensar em aspetos filosóficos, religiosos e humanos.

Este disco dos Lord Mantis inverte um pouco os papeis, esquivando-se de grandes ideias ou teorias. O abanão é extremamente eficaz e para além da intensidade, os dados são lançados para que se deem opiniões fortes/controversas, para que se critique/fundamente, algo que vem em boa altura se pensarmos que a moda agora é opinar menos e “gostar” mais.

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