Os Heróis e os Métodos: …os sons sem tempo nem espaço…

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Marília Medalha – Marília Medalha (Philips, 1967)
Década de sessenta, a Bossa Nova a namorar as praias e os prazeres da vida. Música Popular Brasileira que canta as ruas, os sambas, as amarguras que se curam com o toque de uma batucada. Um trabalho que para além da excelente voz de Marília Medalha, conta ainda com arranjos orquestrados e interpretação de temas de músicos como Gilberto Gil, Dorival Caymmi, Caetano Veloso, Edu Lobo etc. Intemporal.

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V/A – Good God! Born Again Funk (The Numero Group, 2010)
Depois da editora Numero Group ter compilado de forma “celestial” o disco “Good God! A Gospel Funk Hymnal” com temas rebuscados de funk/gospel, onde a toada musical mantém acentuada a devoção e  a espiritualidade. De qualquer forma não quer dizer que não seja música boa para fomentar alguns pecados, afinal os espíritos servem-se da carne para pecar ou algo do género. Voltando à Numero, mais tarde lançou este “Good God! Born Again Funk” – uma rodela musical imaculada com mais temas funk, vocalizações a saírem corpo fora e o ritmo a abanar a anca dos blues. Compilações obrigatórias até porque tratam-se de temas difíceis de possuirmos nas nossas colecções noutras edições.

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Keith Fullerton Whitman – Disenginuity/Disingenuousness (PAN, 2010)
Um dos meus discos preferidos de noise/drone foi gravado por este músico num concerto em Lisboa. Partindo para este D/D comprova-se o fascínio que Keith tem na exploração das máquinas, dos circuitos etc.  O músico aqui é uma espécie de artesão mecânico, o potencial das máquinas é estudado e há nessa abordagem um certo conhecimento académico (estudou no Berklee College of Music). Qual cientista louco, Keith usa desde colagem de sons, field recordings, manipulação de k7, alteração e controlo de emissões de vários equipamentos como sintetizadores e microfones etc. Neste trabalho temos dois longos temas, sendo que o primeiro está mais direccionado para a música concreta e electrónica minimal (ou até mesmo drill n’bass), enquanto o segundo tema cresce na densidade do drone/noise. Se lhe derem tempo é música que vai crescendo apesar de não atingir a intensidade de “Lisbon”.

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Indonesia: Music From the Nonesuch Explorer Series (Nonesuch, 2003)
Há música capaz de provocar uma espécie de ressonância em nós, fazendo-nos sentir que há nela algo de transcendente. Neste disco são captados alguns sons locais que fazem parte da cultura da Indonésia. O gamelan – uma panóplia de xilofones, objectos rítmicos feitos de metal, gongos de vários tamanhos etc., está bem presente em vários temas, surgindo por vezes em variações de sons que fazem lembrar os poli-ritmos africanos. Há por aqui algo de ritualista, onde por vezes a expressão musical não é mais do que diálogos espontâneos com a natureza, com a religião ou uma forma de emancipação do meio cultural. Ouvimos também aqui um ou outro tema com vozes, ora em registo feminino e teatral, ora em expressões físicas e repetitivas. Apesar de não termos nesta compilação música electrónica, nem experimentalismos acentuados, é incrível como sons com tanta história têm este tipo de resistência face ao tempo e ao espaço.
Boa semana…

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