Os Heróis e os Métodos: progredindo na proa da nossa grandiosidade…

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Electric Wizard – Dopethrone (2001, Music Cartel)
Os Electric Wizard neste disco conseguiram reunir o melhor de vários mundos (doom, sludge, stoner). Músicas com riffs pesados e cheios de groove como estas, só mesmo nos bons momentos de uns Sleep ou Neurosis. A isto juntam-lhe um som grave e com distorções de puro aço, cadências lentas e vozes melódicas. A escola é a melhor, Pentagram, Saint Vitus, Black Sabbath etc., sendo que neste trabalho as coisas são elevadas a outros níveis de potência e peso. Não há aqui nenhum momento que não nos puxe pelo corpo e este é claramente um disco que se encontra no panteão dos melhores de sempre no que diz respeito ao metal.

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Lô Borges – Lô Borges (1972, EMI)
Ao lado de Milton Nascimento, Lô Borges ganhou exposição com o clássico “Clube da Esquina”. No mesmo ano, lançou o seu disco de estreia, apenas com o nome Lô Borges. Um trabalho maioritariamente acústico, onde as influências do psicadelismo e da música progressiva são remetidas para baladas de enorme beleza (o que às primeiras audições pode parecer um disco simples, é no seu âmago o exemplo de um meticuloso trabalho de composição) – para além das comparações óbvias com Milton Nascimento, a mim suscita-me também o músico Terry Callier. Um nome injustamente esquecido da música brasileira.

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Wire – 154 (1979, Harvest Records)
Falar de Pós-punk obrigatoriamente leva-nos a falar dos Wire. Este trabalho mantém a energia do punk, com um exercício adicional de guitarras angulares, por vezes ruidosas, que perfazem composições de autêntico art-punk. Em 1979 os Wire já apontavam caminhos que foram trilhados por outras bandas, a inclusão de efeitos nas suas estruturas, sem nunca alienar em demasiado a melodia… Aliás este registo vive do confronto de ideias mais vanguardistas e o conforto de replicar cânones do rock da época. O pontapé de saída para uns anos 80 que se serviram de várias destas linhas e sobretudo um trabalho que ainda hoje soa forte como sempre.

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Wolves In The Throne Room – Celestial Lineage (2011, Southern Lord)
O que torna os Wolves in the Throne Room especiais, ao ponto de pisarem palcos de festivais de música independente e ao mesmo tempo manterem a sua rota underground e extrema? De certeza a genuinidade e alguma inteligência, somando várias texturas que tornaram o Black Metal mais do que um género apreciado por minorias. Agressivos como uns Immortal, audazes nos arranjos, nas longas “sinfonias” negras ao estilo de uns Emperor, mantêm ainda a melodia ambiental que os Burzum gelaram para sempre. É no exercício de variação/composição que este grupo ganha pontos, já que no mesmo tema tanto podemos ouvir coros angelicais, como sermos fustigados com ataques rítmicos impiedosos. Aquilo que os Alcest adocicaram e tornaram extremamente melódico, os WiTR esculpiram autênticas montanhas Black Metal. Sem dúvida que viajam na proa dos novos aventureiros do estilo, a par de outros nomes como os Deafheaven, Gnaw Their Tongues, Furze etc.

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