Os Process of Guilt continuam a arrasar mentes e corações. Como não?

Confesso que não são muitos os momentos em que simplesmente fecho os olhos e me deixo levar. No alto dos meus 42 anos e depois de ouvir tanta coisa esses momentos são cada vez mais escassos. Quando isso acontece é bom sinal, é sinal que estás feliz, que sentes o que estás a ouvir, que por breves instantes jogas os problemas para trás das costas e crias o teu próprio momento, o teu próprio mundo e viajas… Depois, depois estás desejando que o gajo que está a cantar ou outro simplesmente não falem, simplesmente não abram a boca, mas tão só e apenas que cantem, que toquem, pois ficas com a percepção que se o fizerem poderão estragar a criação do momento, a obra de arte que num espaço temporal de 50 minutos estão a edificar, e mais importante, concluis que não é preciso darem-te conversa pois a música é mais que suficiente para te deixar satisfeito, diria até extasiado. Música, é disso que falo, como é possível a brutalidade ser tão bela, tão sensual? Como é possível a agressividade ser tão doce, tão melancólica? Como é possível tamanho petardo libertar-te de tal forma, onde as guitarras se confundem (no bom sentido), o baixo comanda, a bateria está completamente possessa, tudo isto liderado por uma vocalização (quase) gutural em que tudo junto faz com que o chão trema debaixo dos teus pés, como se tudo fosse desabar, contudo queres ficar, ouvir, sentir, viajar…?
Cult Of Luna? Godflesh? Aqui e acolá pincelado por Khanate ou até mesmo por Sunn O))) se bem que de uma forma mais sólida, mais compacta? Não sei, para uns pode ser tudo isso, para outros não, para mim, é muito mais que isso, são portugueses e dão pelo nome de PROCESS OF GUILT!!!
Obrigado Custodio, Nuno, Hugo e Gonçalo!!!Até ao SMSF!!!

Vítor Paixão (promotor do SMSF)

Comentários

Comentar