Os Heróis e os Métodos #003

Esta semana deixei-me ficar por uma das minhas paixões, a música brasileira.

01 – Joyce – Aldeia de Ogum (disco Feminina, 1980, Odeon)
02 – Os Tincoãs – Ogunde (disco Os Tincoãs, 1973, Odeon)
03 – Canhoto da Paraíba – Tua Imagem (disco O Violâo Brasileiro Tocado pelo Avesso, 1977, MPA)
04 – Baden Powell – Berimbau (disco À Vontade, 1963, Elenco)
05 – Élton Medeiros – Avenida Fechada (disco Élton Medeiros, 1973, Odeon)
06 – Paulinho da Viola – Vai Amigo (disco Paulinho da Viola, 1968, Odeon)
07 – Caetano Veloso – Camisa Amarela (disco Ary Barroso Songbook Vol.1, 2010, Lumiar Discos)
08 – Tom Zé – Tô (disco Estudando o Samba, 1976, Continental)
09 – Paulo Vanzolini – Samba Erudito (disco Por Ele Mesmo, 1979, Eldorado)

Começamos com a bela voz de Joyce, aqui acompanhada por um crescendo jazzístico cheio de groove e balanço. De seguida Os Tincoãs, trio de vozes sublime e com uma grande espiritualidade. Assim como a música anterior, notam-se as raízes da música africana, histórias de muitos negros que tiveram as vidas e as mãos sulcadas pelo trabalho. Os Tincoãs pregam o Candomblé e ainda arranjam forças para dançar numa espécie de paraíso com muito sol. O Canhoto da Paraíba ganhou este nome artístico porque tocava, de forma exímia diga-se, com o violão invertido, mas sem alterar a posição as cordas. O seu estilo foi-se aperfeiçoando e os seus dedilhados deram forma à tradição da música brasileira, sobretudo ao Choro, aqui numa espécie de valsa bem brasileira que dá vontade de abraçar alguém em desajeitada espontaneidade. Continuando com outro guitarrista de eleição, temos o Baden Powell que juntamente com génios como Vinicius de Moraes ou Tom Jobim estabeleceu laços entre a Bossa-Nova, o Jazz, entre outros estilos, numa redescoberta das origens e da história brasileira. Élton Medeiros a par de nomes como Cartola e Adoniran Barbosa, trouxe o charme à Bossa e aos Sambas cantados em bares e restaurantes,sambas feitos para o povo de onde são retiradas as histórias de amores e desamores que acabam sempre por desaguar num qualquer Carnaval. Paulinho da Viola gravou no início dos anos 70 alguns dos melhores discos de música brasileira, comparável em termos qualitativos a um Chico Buarque. A música aqui escolhida é um óptimo exemplo dos ritmos da Bossa a agitarem as cordas do violão, numa letra que ganha contornos de emoção. A escolha do Caetano Veloso serve de dupla homenagem, por ser um dos músicos mais consistentes ao longo da sua longa carreira, mas por ter aqui uma rendição de um tema de outro nome obrigatório, Ary Barroso. Não podia ficar de fora o génio de Tom Zé, mestre dos jogos de palavras, louco e lúcido, definitivamente um dos músicos mais criativos e inovadores que já tive a oportunidade de ouvir e que ainda hoje com mais de 70 anos, assume o papel de nome de destaque dos sons do Brasil. Para  a despedida, ou para terminar mais um copo de cerveja,  fica uma história pela voz de Paulo Vanzolini, num Samba Erudito, feito de ritmos suaves e palavras que se reencontram sempre com o passar do tempo.

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