Père Jules

Uma das melhores personagens que já vi no cinema foi Père Jules, o capitão do Atalante, que interpreta aquele tipo de pessoa com que todos gostamos de conviver: hilariante, optimista, humano, exótico e sempre com óptimas estórias para partilhar.

No clássico de Jean Vigo de 1934, realizador que morreu aos 29 anos, Pére Jules é também uma espécie de fada madrinha burlesca do casal recém-casado Juliette e Jean. Vigo, que nunca chegou a provar o reconhecimento da sua obra-prima, fez deste um dos casais mais intensos da história de cinema cuja cena em que ambos se tocam, à distância, pensando um no outro é uma das mais sensuais e bonitas de sempre.

Depois de Aurora de Murnau, diria que este é o verdadeiro filme sobre o relacionamento de um casal. Mas o filme não se fica por aqui: desde as personagens às técnicas utilizadas até à banda sonora, L’Atalante é a subtileza e os sentimentos da vida a navegarem pelas lentes de alguém que deixa o mundo demasiado cedo mas a tempo de nos deixar um legado único. E insisto: o meu próximo animal de estimação vai-se chamar Père Jules.

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