Presidenciais, o rescaldo

Cavaco ganhou. Ok, nada de surpreendente. 52,94% dos votos, vá lá, já deixa tirar algumas conclusões. Mas mais de 53% de abstenção? Mais de metade dos eleitores portugueses decidiu não ir votar. Mais de metade dos eleitores portugueses decidiu não ir votar quando o país atravessa uma das maiores crises de sempre. No post abaixo falava da descrença na classe política, mas uma coisa é descrença, outra coisa é inércia. Nem este simples gesto de colocar uma cruz (ou não) num boletim tem significado.

Leio opiniões dos que se abstiveram do voto, a defender a sua posição visto que esta é igualmente uma forma de manifestar a sua insatisfação. Mas enganam-se: não votar é denegrir a democracia, é denegrir a memória de quem sofreu para que esta existisse, é vilipendiar todos os fundamentos da liberdade. Porque depois querem-se queixar que têm um Estado que não responde às suas exigências e necessidades mais básicas. Não se queixem, porque em último caso foram vocês que assim o escolheram.

Se não querem viver em democracia, há alguns países por esse mundo fora que vos podem acolher. Se querem democracia, mas estão insatisfeitos com a classe política, envolvam-se no activismo político e tentem vocês dar início à mudança. Agora uma coisa é certa: não votar não é um manifesto, é desistir covardemente. De vocês e de quem vos rodeia.

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