Rapidinhas

Diagonal – Diagonal [Rise Above 2008]
Estes ingleses de Brighton editaram no ano passado aquele que deve ser o seu registo de estreia, um disco com o carimbo Neo-Prog e sem medo de se colar às suas referências que vão de King Crimson a Pink Floyd. Se for mesmo o disco de estreia, então é dar espaço para olearem a máquina. Caso não seja… Einstellung – Sleep Easy Mr Parker [Bearos 2006]
Mesmo estando cada vez mais selectivo nas minhas pesquisas musicais, os critérios para chegar a determinada banda/ disco são vários. Confiando na organização do festival Supersonic, perguntei-me a que soaria esta banda com o nome retirado do filme “Asas do Desejo”de Wim Wenders e que vai fazer a primeira parte dos Aethenor muito em breve. Sleep Easy Mr Parker é a primeira edição destes ingleses e é “apenas” um single de 28 minutos que respira um hipnótico krautrock que não deixará insatisfeito qualquer fã dos Neu! É bom, deixa-nos a salivar enquanto o debut errr Wings of Desire não nos chega às mãos. Banda a ter debaixo de olho, sem dúvida. Fushitsusha – Double Live [PSF 1991]
Keiji Haino é um nome familiar para quase todos nós, já a sua banda nem por isso. Os japoneses Fushitsusha são uma descoberta com poucos meses para mim e a cada audição este duplo de cerca de 150 minutos vai crescendo. Aliás, eu vou crescendo. Este não é mais uma “noisada” de uma banda japonesa e “portanto vamos ouvir porque é exótico”. Não, isto é História e mais um daqueles discos que nos desafiam e puxam por nós. A essência é o psicadelismo, mas não deixem que esta palavra vos confunda. Em 91 tinha 8 anos e ainda não tinha comprado o meu primeiro disco. Hoje, aos 26, acho que vendia a maior parte dos que tenho para ter este original. Master Musicians Of Bukkake – Totem One [Conspiracy 2009]
“World Improvisation Music”, diz o Pedro Mendes via sms. Eu concordo, só nunca tinha pensado realmente nisso porque o disco é uma trip tão fascinante que tudo o resto me passa ao lado. É uma excursão ritualista e espiritualista pelos caminhos do psicadélico e do exotismo guiada por uma série de músicos low-profile mas com um invejoso currículo. Don McGreevy que esteve há pouco no Porto com os Earth, o ex Burning Witch e actual Asva Brad Nowan, Randall Dunn (talvez o meu produtor preferido) e Alan Bishop são alguns dos nomes envolvidos. Aconselho a todas as mentes abertas a não só escutarem o álbum como a investigarem conceitos e significados que estão por trás deste projecto, todo ele é uma viagem de enriquecimento. Esta vai ser uma das bandas mais interessantes dos próximos anos. Aliás, já o é… Moss – Tombs Of The Blind Drugged 10′ [Rise Above 2009]
Depois de um brutal Chtonic Rites e de um agridoce Sub Templum, estava entusiasmado para ouvir o regresso dos túmulos dos ingleses Moss. Apesar de diversas bandas terem um som similar, sei quando estou a ouvir Moss, têm algo de único nas camadas das guitarras. É terror… extremo… que atinge novas profundidades, dizem, e tenho pena que ainda ninguém tenha dado um álbum deles ao senhor Romero. Riffs monolíticos, vozes destroçadas e muito mistério nestes três temas (um deles é uma cover dos Discharge) fazem deste uma compra obrigatória. Temos que os trazer a Portugal! Pandit Pran Nath – Ragas of Morning & Night [Gramavision 1986]
Pandit Pran Nath, mestre raga indiano, mudou-se para NYC em plenos sessentas e influenciou toda uma geração de músicos avant-garde. É habitual encontrarmos determinados músicos citarem-no como infuência nos seus myspace, por exemplo. Foi com ele que grande parte aprendeu, entre outras coisas, a capacidade técnica para moldar, esculpir ou expandir uma simples linha fonética ao ponto de a mesma se transformar numa experiência quase transcendental. Estas duas ragas foram gravadas pouco antes da sua ida para os states e, infelizmente, só existem em cassete.
Se quiserem saber mais do mestre: http://www.hungryghost.net/PPN/BoonPPN.htm

Pelican – Ephemeral EP [Southern Lord 2009]
Pelican Pelican Pelican, serão sempre uma banda especial. Por falar nisso, está quase a fazer dois anos que os trouxemos ao Porto. Que noite… City of Echoes, o último trabalho da banda, também é datado de 2007 por isso se tirarmos o split com TAAS que não trouxe nada de novo, a excitação para novos temas numa nova editora era muita. Logo ao primeiro riff apercebemo-nos que banda estamos a ouvir. Podem haver dezenas de bandas parecidas, mas Pelican é sempre Pelican. No geral, é um EP que serve apenas para nos deixar a salivar pelo álbum que aí vem também através da Southern Lord. Notam-se algumas diferenças na composição, mas não há nenhum tema que me leve fora daqui. Mas lá está, é Pelican. Ponho a tocar, cumpre, divirto-me… Destaque para a cover de Earth – Geometry of Murder – com o próprio Dylan! Vai rodar bastante nos próximos tempos, mas é provável que daqui a um par de meses já o tenha esquecido. Veremos…

Comentários

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  1. António Pita

    Onde é que um gajo encontra aquela coisa dos Diagonal? Thanks

  2. jorge silva

    epá, curtia de caraças ver isso (os meus ouvidos é que talvez não) mas parece-me que eles não dão muitos concertos.

  3. ::Andre::

    António, já encontraste?

    Já ouviram MMOB??!! Que trip =)

  4. Crestfall

    Ora bem, ainda não ouvi nada disto e tenho aqui Diagonal e Pelican.