Rapidinhas

Thee Silver Mt. Zion – Kollaps Tradixionales [Constellation 2010]
Quando um disco é novo há tendência para sobrevalorizar, mas agora que já rodou umas dezenas de vezes digo com convicção que este é o melhor álbum do colectivo canadiano (agora quinteto). Aquele dia de Novembro foi maravilhoso, passei a gostar ainda mais da banda sobretudo pelas pessoas que são, mas quando afirmo que este é o meu disco preferido dos Zion ponho mesmo de parte esses momentos. Consegue ser épico duma forma crua e simples, perde nos arranjos orquestrais mas ganha na intimidade ao mesmo que tempo que trilha um novo caminho. Após estes anos todos, o cão de Efrim só pode estar orgulhoso.

Rashied Ali & Frank Lowe – Duo Exchange [Survival 1972]
Sendo o John Coltrane um nome mais familiar, é provável que já tenham ouvido o disco em que ele fazia dupla com Rashied Ali ou não fosse esse o último antes da sua morte. Nenhum disco é comparável, mas Ali tem aqui a mesma PUJANÇA com as baquetas na mão (os discos têm uma diferença de 5 anos) e a diferença está em Frank Lowe, não para melhor ou pior, apenas uma abordagem mais diversificada com menos pulmão e intensidade. É, portuguêsmente falando, um disco do caralho! Um gajo ouve e até fica com aquela ideia que, ao contrário do habitual no free, nenhum deles se alimenta um ao outro. Mas para quê? Desde que não se estorvem… É um clássico, é perfeito.
Paul Flaherty – Voices [Wet Paint 2003]
De todos os grandes nomes dos sopros, o Paul Flaherty é o mais subvalorizado. Poucos destaques na imprensa especializada, pouco falatório nas interwebs (nem uma entrada na wikipedia)… Às vezes é uma questão de hype, de se estar nos momentos certos na altura certa. Apesar da extensa carreira, este Voices foi o seu primeiro álbum a solo. São setenta e tal minutos (!!) onde o saxofonista de 62 anos explode o que acumulou na sua caminhada de concertos para plateias despidas, tocar nas ruas, etc etc. É um disco com um som fenomenal, muito expressivo e balanceado entre o Tenor e o Alto. Tudo parece perfeito, desde os temas aos próprios títulos, creio até que o booklet traz pinturas dele. Felizmente os tempos mudaram ligeiramente e na última década tem editado tudo o que não conseguiu fazer no passado. Ainda é o mais desconhecido de todos os grandes, mas eventualmente o seu dia chegará. Pessoalmente, gostaria de estar envolvido num concerto seu no Porto e até já houve troca de contactos nesse sentido, mas por motivos legais não acontecerá antes de Abril de 2011. Ouçam-no, Paul Flaherty é uma força da natureza.
Oxbow – Songs for the French EP [Hydrahead 2009]
Uma tour, sobretudo europeia duma banda americana, precisa normalmente duma justificação física. Este doze polegadas deve ter sido a tal, mas raismapartam se isto não é Oxbow no seu melhor. Três temas originais (lado Here) e três gravados ao vivo (lado There). Eles não lançariam os melhores quando o álbum novo (ainda vai demorar muito??) está aí à porta, portanto se estes não são os melhores e são dos melhores dos melhores o novo álbum vai ser do melhor. “Tell me things I won’t mind forgetting”
Oren Ambarchi – Intermission 2000-2008 [Touch 2009]
Para quê que vou escrever sobre um álbum quando o ex-convidado do Amplificasom Miguel Arsénio já disse tudo o que havia para dizer? Ler aqui: Bodyspace

MF Doom – Born Like This [Lex 2009]
“He was born like this, into this, around this”. MF Doom é um dos nomes que vale a pena seguir no mundo hipópiano, mas ouvi este disco praticamente seguido da descoberta do seu outro projecto – Madvillian – e aqui já não encontro nem me revejo nos detalhes que faziam Madvilliany interessante e fresco. Vale sobretudo para quem gosta de bons MCs.
King Midas Sound – Waiting for You [Hyperdub 2009]
Este novo projecto de Kevin Martin (The Bug, ex-Techno Animal..) tem um defeito enorme: quando se começa a ouvir o álbum pelo tema “Earth A Kill Ya” tudo o resto soa banal. Este tema é definitivamente um hino, deu-me vontade de voltar aos tempos em que se compravam singles. O resto está longe de ser mau, sobretudo para malta que aprecia dubstep, Tricky e afins, mas… lá vou eu a este post: link

Comentários

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  1. Pedro Nunes

    Também ando a ouvir o disco de Thee Silver Mt. Zion e estou a gostar.

    Partilho em parte, da opinião em relação ao Paul Flaherty, não é um músico fácil de ouvir. Um dos discos que gosto mais é o Whirl of Nothingness.

    pedro nunes

  2. ::Andre::

    Na semana passada o Corsano autografou-me o The Beloved Music :)

  3. fabricio vieira

    ei, Andre,
    olha que coincidência: coloquei há pouco um post sobre o Flaherty lá no Free Form… Realmente ele é um dos grandes ainda pouco conhecido e devidamente admirado…
    ab, Fabricio