Rapidinhas

Aloe Blacc – Good Things [Stones Throw 2010]
Todo o disco é um agradável passeio ao Soul dos setentas. É a produção, é o surpreendente barítono de Blacc, as suas letras políticas e sociológicas… Está na moda a repescagem retro, é certo, mas quando o ouço aquilo que passa é uma mensagem bem honesta. E não me lembro como cheguei lá, mas ainda bem que o fiz. Ah, surpreendente a cover da Femme Fatale…
Barn Owl – Ancestral Star [Thrill Jockey 2010]
Recentemente falei da dupla Caminiti e Porras, “filhos” de Dylan Carlson, por causa do excelente The Conjurer. O Pedro Nunes já o tinha feito em 2008 com um outro disco. Neste site, o nome Barn Owl será mencionado muitas mais vezes, vai chegar um dia que até estarão num dos nossos cartazes. E isto tudo porque os gajos são muito muito bons. Em Ancestral Star, pensem em caminhadas num deserto turbulento debaixo dum céu nublado onde o vento é inconstante e em que dum lado está Ennio Morricone e do outro os Sunn O))). Podem não acreditar, mas isto sai dos seus amplificadores. Disco notável!
La Otracina – Reality Has Got To Die [Holy Mountain 2010]
Imaginem a “magia space rock duns Hawking, o improviso prog dos Crimson, o “fuck yeah” dos Metallica dos inícios e os synths duns Tangerine” numa Bimbi em modo kraut. São altos psiconautas virtuosos e uma das bandas mais fixes que por aí andam, mas só para quem quer. Só para quem quer.
Little Women – Throat [Aum Fidelity 2010]
Estou pisado de tanto ouvir este disco, que disco! Quarteto constituído por dois saxofones (um Alto e um Tenor), uma guitarra e uma bateria. A energia é de uma banda trash, a precisão de uma banda math e a paixão de uma banda free. Não se ouvia nada assim desde o Naked City e não é garganta se chamarmos a isto de Death Jazz.
Schlippenbach Trio – Bauhaus Dessau [Intakt 2010]
40 anos! Este trio de Alexander von Schlippenbach com Paul Lovens e o mestre Evan Parker lança discos neste formato há 40 anos! Todos eles já gravaram e participaram em dezenas e dezenas de discos, nada mais têm a provar. Já viram tudo, já fizeram tudo e o resultado, gravado ao vivo na Bauhaus Dessau cuja música poderá ser associada com aquilo que reflecte o estilo arquitectónico, é este: um álbum praticamente perfeito. A interacção entre os músicos, o som acolhedor e elegante, o ser hermético e abstracto quando é preciso ser, a dinâmica, o contexto, a “eloquência” através dos seus instrumentos… É um daqueles álbuns que não nos limitamos a ouvir, parece que fazemos parte dele. É arte, um dos mais belos que ouvi este ano.
The Unwinding Hours – The Unwinding Hours [Chemikal Underground 2010]
Dois dos veteranos dos saudosos Aereogramme decidiram voltar às canções via TUH e infelizmente não foi da melhor maneira. Não é mau de todo, mas a composição é fraca, nada os distingue das mil bandas que foram editadas no dia de hoje e amanhã estarão esquecidos. É pena…

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