Rapidinhas

∆ (alt-j) – An Awesome Wave [Infectious 2012]
Será um dos discos do ano! É díficil escrever sobre ele, apetece apenas procurar os adjectivos mais sedutores que existem e tocá-lo em noites de t-shirt e boa companhia. É muita coisa ao mesmo tempo (indie, folk, hip-hop, electronica..) sem nunca ser demasiado eufórico ou deixar adormecer – o limbo é perfeito – e, por demasiado boa onda que seja, descobrimos a sua complexidade à medida que o vamos ouvindo de forma viciante. Um álbum de estreia assim… Se estas são as primeiras ideias de uma banda…

Narrows – Painted [Deathwish Inc. 2012]
Deve ser complicado quando sais de uma banda como os Botch e formas outros projectos. O legado é demasiado pesado, se continuas na música essa sombra perseguir-te-á. Diria, sem ofensa, que grande parte das 400 pessoas que na semana passada estavam no concerto de Russian Circles provavelmente não sabem/ não se lembram que Brian Cook fez parte dos Botch. O projecto é outro, o público alvo roça mas é mais abrangente e certamente, mesmo orgulhando-se do sua carreira, não faz bandeira disso. Mas, para um vocalista cujo timbre é imagem de marca, não será tão fácil ainda por cima quando a nova banda – neste caso os Narrows – joga no mesmo campeonato. Por outro lado, essa atenção do ponto de vista comercial da coisa pode ser bem-vinda. Mas, e se me calasse com teorias que ninguém quer saber? É mesmo isso que vou fazer porque este Painted é literalmente do caralho, não vive do passado de coisa nenhuma e vale imenso. São uns 25 minutos intensos, cheios de paixão e criatividade que retratam bem o presente da banda ao segundo disco como o potencial para o futuro. Ao vivo, quero ver isto ao vivo.

Split Cranium – Split Cranium [Hydra Head 2012]
É difícil não nos concentrarmos no facto de Aaron Turner estar envolvido neste projecto. Quantos de nós não temos saudades dos Isis? Mas é seguindo o seu trabalho recente – novos discos de Mamiffer, House of Low Culture, Old Man Gloom e Jodis; a editora SIGE, etc – que percebemos que se trata dum artista num estado de espírito em plena liberdade de fazer o que quer e essa prolificidade daí advém. Aqui é acompanhado por amigos finlandeses (sim, o Lehtisalo dos Circle também) num registo completamente straightforward e extrovertido. É música parte cabeças, sem dúvida. Crust punk? O que lhe quiserem chamar. Mas podiam os Split Cranium viver sem estes elementos? Poder podiam, mas não seria a mesma coisa. Como disse a Pitchfork: “old school in spirit, new school in execution”.

Wino & Conny Ochs – Heavy Kingdom [Exile on Mainstream 2012]
A música, para mim, é isto: naturalidade, honestidade, alma, egos bem longe e, claro, bom gosto. Foi uma tour entre o dispensa apresentações Scott “Wino” Weinrich e o alemão Conny Ochs que os fez, provavelmente nos momentos menos ocupados da mesma, partilharem riffs e ideias e o resultado é despretensioso, é simples e sabe mesmo bem. Nota-se que as canções lhes saiem de dentro, não são pensadas e planeadas para atingir determinado objectivo comercial. Nada disso. São apenas dois songwriters a quererem trabalhar juntos e a fazerem-no. Soa datado? A quem? Há momentos em que os amplificadores devem ser desligados e deixarmo-nos simplesmente levar por discos como estes que, embora “pesados” e melancólicos à sua própria maneira, nos transmitem uma certa serenidade e consolo. Venha já o próximo!

Comentários

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  1. ty

    O Heavy Kingdom e o de Split Cranium são incríveis.
    Tenho de ouvir os outros dois \m/

  2. Pedro Nunes

    Bom ver-te a rasurar uma coisas…

    Fiquei com vontade de ouvir tudo. :)