Regresso às origens

Look out, beware
When the full moon’s high n’bright
In every way I’m there
In every shadow in the night
Coz I’m evil in league with satan

Ainda em fase de rescaldo dum fim-de-semana povoado por excessos, o torpor alcoólico que se instalou no segundo dia de festividades dificulta reminiscências pormenorizadas deste último Sábado Negro. Entre conversas mais ou menos parvas empoladas por bebidas de trazer por casa, lá se viu um e outro concerto num dia de relativo menor interesse. A minha melhor e mais vivida memória da noite foi a de estar abraçado a um outro patusco durante o concerto de Venom enquanto vociferávamos alegremente de punho no ar, quais putos dentro do autocarro numa visita de estudo a Fátima, a música “In league in Satan”. Não sendo um seguidor activo da banda, foi com relativa facilidade que consegui cantar (perdoem-me desde já a leviandade com que o termo é usado) as músicas mais emblemáticas do grupo. São temas simples de refrões orelhudos, cheios de patetices pseudo-satânicas a transbordar de rebelião adolescente. Resumidamente, um momento de Heavy Metal em toda a sua porca glória.

Esta categorização redutora e estereotipada do estilo sobrevive até aos dias de hoje, sendo, porém, perfeitamente válida para inúmeras bandas. No entanto, nos últimos anos tem-se presenciado uma tendência cada vez mais evidente em empurrar as fronteiras para domínios cada vez menos acessíveis. Será rebuscado falar dum movimento de intelectualização no metal e demais sub-géneros, mas é interessante constatar a legião de músicos que activamente se afastam cada vez mais do instinto primário que motivava os seus predecessores, movendo-se em terrenos cada vez mais pantanosos e de díficil digestão, tanto a nível lírico como em termos de composição.

Esta constante procura por diversidade, sendo um esforço consciente ou não, é algo que continua a injectar novidade num género com uma morte continuadamente anunciada. Mas (e é aqui que eu começo a implicar) será que este constante procura por inovação levará a a um progressivo descurar dos clássicos? Haverá sempre bandas a homenagear aquilo que primeiro os inspirou a tocar, mas e a audiência? Ainda há procura por Rock puro e duro? Ritmos definidos, melodias catchy, refrões sing-along, guitarras pelo ar, letras sobre gajas deslavadas, todos aqueles elementos que preenchem o imaginário dum adolescente pubescente quando ouve Motörhead pela primeira vez.

Haverá consumo, mais ou menos imediato, para todas as direcções que possam ser tomadas dentro da música, assumam elas uma postura revivalista ou progressiva. Porém, numa época de acesso imediato à música, em que o percurso musical pode-se revelar aleatório em vez de evolutivo, pode-se perder a noção das origens. Acalentando a esperança de que toda esta treta não me faça parecer o Velho do Restelo do pasquim, se ainda o não tiverem feito, incentivo a dar uma espreitadela a algumas das bandas responsáveis por se ter trilhado tanto caminho no que à música pesada diz respeito. Por algum motivo são considerados clássicos.

Playlist possível: Celtic Frost, Led Zeppellin, Venom, Sir Lord Baltimore, Pentagram, Black Sabbath, Motörhead, King Crimson. Que mais sugerem?

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