Roma invertida não existe em si mesma

Num café daqui ouve-se falar dialecto alemão, coisa da orientalidade suíça.
Procuro ouvir francês, para todos os efeitos, língua de revolução e, talvez por isso, também dita a do amor.
Numa dessas incursões de limpeza verbal, encontrei um realizador que, apesar de grego, me francofonizou. No Costa (Konstantinos) Gavras comecei pelo “Z”, filme de 1968 ou 1969 dependendo do parágrafo que se lê na Wikipédia.
Não sou insuficientemente humana para ter a certeza de que a comoção política é coisa de alas partidárias. Sei que a fé de uns é o ódio de outros e o medo de todos.
Neste momento português, gira o mundo a falar de nós como maus administradores de dinheiro e humildade. Muito pouca gente sabe para além da televisão e dos jornais e aí me incluo. É inevitável cair em considerações de fundo político-económico baseadas no conhecimento generalista e, como se não bastasse, especulativo.
Depois do Gavras, provavelmente porque há muito que me embrenhava mais no cinema que no mundo, voltei a pensar no que na vida é tão fundamental que chega a chamar-se “direitos” e foi para aí que apontei o meu pensamento político acromático.
Longe de resolver o tumulto português no meu treino de bancada, tento assegurar-me de que somos muitos no desejo de uma vida livre (tenha esta palavra a efectividade que tenha) e proponho que assistam ao “Missing”, do Gavras, e ao documentário “A Doutrina do Choque” de Michael Winterbottom e Mat Whitecross, a partir do livro da Naomi Klein. Vale a pena demorar-se sobre estes factos e, melhor do que tomar partido, essencializar desejos civis.

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