Ronda Cinéfila

True Grit

Ontem fui ver este filme na grande tela. E ver isto sem ser neste formato perde, e muito. Os irmãos Coen apontam neste filme ao grande plano, ao plano americano, ao clássico John Ford, ao sujo Sergio Leone. Fazem-no com a mestria que se lhes conhece, num western que em nada fica a dever aos grandes clássicos do género. Estamos perante uma adaptação da obra com o mesmo nome de Charles Portis (que de resto já tinha ido parar ao cinema em 1969 com John Wayne no papel principal) e conta a história de uma miuda tenaz que quer encontrar o assassino do seu pai. Um épico de justiça, é isso que temos aqui, onde não deixa de entrar aquele jogo quântico, que Ethan e Joel tanto gostam, da fortuitidade.
Destaco igualmente uma direção de atores genial. O cast foi perfeito. Mais do que justa a nomeação de Hailee Steinfeld e Jeff Bridges, que com o seu fabuloso papel como Reuben “Rooster” Cogburn, o marshall displiscente e amigo do whisky, cuja noção de justiça só se pode equiparar a um Harry Callahan, tem aqui para mim o seu melhor papel desde o grande Dude. A interpretação é soberba, e cedo nos esquecemos que vemos ali um ator para dar lugar a um personagem memorável do cinema, caso raro no cinema de hoje. Altamente recomendado, e não fosse eu ter também adorado o Black Swan, diria que este era sem dúvida o mais justo merecedor do Óscar para este ano.


Never let me go


Um futuro que não é o nosso. Sem doenças, graças a um grupo de miudos que, em várias escolas pelo Reino Unido, são manipulados geneticamente e crescem com o intuito de ser dadores de orgãos. Um pouco como os Replicants no Blade Runner, eles são vistos como não tendo alma, desprovidos de sentimentos que sustentam o ser humano “normal”. Mas claro, não é isso que vemos no filme, e é essa questão moral que ele levanta, tão reproduzida pelo mundo do cinema: até onde poderemos ir pela construção de uma sociedade perfeita?

Fair Game

Lembram-se daquela história em 2003, mesmo no rebentar da guerra do Iraque, em que uma notícia revela a identidade de uma agente secreta da CIA, de seu nome Valerie Plame? Noticia que tentava denegrir a imagem do seu marido, o embaixador Joe Wilson, por este ter dito que parte do famoso discurso do Estado da União de Bush era falso, nomeadamente a noticia de que Níger teria enviado 500 toneladas de material usado para fissão nuclear para o Iraque. Bem, após alguns anos na berlinda, este filme estreou nos EUA em Novembro último, e conta, entre outros, com as participações de Naomi Watts como Valerie e Sean Penn como seu marido, o embaixador Joe Wilson.
Este filme, adaptado dos livros escritos quer por Plame quer por Wilson, vem colocar mais fundo o dedo na ferida sobre o embuste que foi a invasão do Iraque e o que uma administração tão conservadora como a de Bush filho faz para perseguir interesses privados. Veja-se: a divulgação da noticia saiu, ilegalmente, de um assessor de Dick Cheney, que em 2006 foi julgado no supremo tribunal a uma pena de 2 anos e meio por difamação e revelação de indentidade secreta, e que viu logo de imediato a sua pena ser comutada em 2 anos para apenas 6 meses de prisão. Por quem? George W. Bush.

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