Ruach HaKodesh


“It is a dreadful thing to fall into the hands of the living God!”

“Paracletus” é o final da trilogia iniciada no “Si Monumentum Requires, Circumspice” e continuada no “FAS-Ite, Maledicti, in Ignem Aeternum”.
Está assim encerrada uma das propostas mais marcantes e originais surgidas nos ultimos anos dentro da musica extrema..
Falar de DsO e daquilo que conseguiram obter ao longo dos ultimos anos não é tarefa facil, chega por vezes a ser dificil de entender a forma como eles conseguiram usar e transformar um estilo que ainda é visto como um bicho de sete cabeças, tanto pelo lado de fora como pelo seu proprio interior.
Primeiro na forma sublime como conseguem enrolar passagens biblicas e dar-lhe uma volta completamente invertida transformando o lado cristão num conto de horror ao qual adicionam por cima uma camada de “filosofia teologica” que mesmo que não se compreenda na sua plenitude consegue ser cativante o suficiente..
Segundo, a forma como conseguiram dissolver a “teologia satanica” numa sonoridade que acabou por transformar praticamente todo o movimento Extremo, igualando a complexidade lirica com o lado instrumental criando um universo tão dificil de encarar como de absorver.
Os trabalhos da fase pos SMRC continuam a ser considerados por mim como autenticos marcos dentro da musica seja ela de que genero for e não reconhecer é cair no lado idiota do trvismo ou então não compreender nada da musica que se ouve e supostamente nos toca cá dentro.
Apesar de ser um filho bastardo desta trilogia o Kenose foi na minha opinião a Maria Madalena que se veio envolver sexualmente com Ele, isto usando metaforas biblicas.
Dessa união nasce o aborto FAS, bastante incompreendido diga-se, cru e horroroso (talvez o mais mesmo deles), mas que retrata o lado mais demoniaco e humano depois da exploração inicial dada á entidade criadora..
Finalmente o “Paracletus” é o elo condutor que liga e fecha toda a trilogia, tal como no cristianismo o “Espirito Santo” (derivação|significado do titulo grego) é a base que une espiritualmente Deus e o Homem, transformando ambos numa entidade unica, ou seja a Santissima Trindade (“Pai, Filho e Espirito Santo”) a que a banda se propos criar está finalmente revelada embora aqui DsO (como escrevi) invertam a teologia biblica.
Explicado o lado mais “teologico” a musica criada por DsO atualmente mostra uma banda ainda muito á frente de todos os seus parceiros ou seguidores.
È natural que se encontrem semelhanças com muita coisa e com nada, mas a formula criadora desta entidade consegue ainda deixar qualquer um de cabeça completamente baralhada..seja por bons seja por maus motivos.
Falar de musica Extrema mais vanguardista nos ultimos anos e não ter em conta aquilo que esta banda ajudou a desenvolver quase não tem sentido, já que juntamente com Blut Aus Nord, Funeral Mist ou Leviathan (principalmente no MCAA) vieram como que dar um toque de genialidade que não tem paralelo e mais nada que se ouça dentro lado mais “feio” do Metal, tendo inclusive força suficiente para entrar noutros dominios, como acontece com Ulcerate ou Pyramids (por exemplo).
O Paracletus é de tal forma bem construindo que a a propria banda desce ao lado mais natural das coisas e mostra aos seus seguidores como se faz.
Temos por exemplo uma faixa como a surpreendente “Apokatastasis Pantôn” que agarra naquilo que se faz de mais interessante atual Post, levando-o e sentando-o á direita do Pai (usando mais uma metafora biblica).
Aliás este lado mais “luminoso” é bastante retratado ao longo do album, tendo ficado inclusive com a ideia que este album é o mais aberto e liberto deles até hoje, embora sem com isso se perca aquela aura mais agressiva que tão bem conseguem implementar nos temas.
Muito labirintico e complexo a forma como usam a dissonância (por vezes até em demasia) continua a ser uma imagem de marca o que juntado com a excelencia instrumental torna este album num dos mais dificeis e absurdos para tentar digerir, um pouco como acontece com os bons albuns de Math (outro ponto onde DsO desce do seu pedestal e vem mostrar como se faz).
Talvez achem estranho ter falado de Post e Math, mas se ouvirem bem o album talvez entendam o porquê de falar nisto é que isto a dada altura torna-se num compendio musical digno de ser estudado.
O uso de vocalizações duplas (mais audiveis em phones) e as declamações em francês (que se misturam com o inglês) são outro ponto não de viragem mas de envolvencia que trazem um pouco á tona certos momentos de Gantz e se misturam com o movimento BM francês.
A voz aqui acaba por ter um papel primordial já que a forma como se serpenteia ao longo das faixas sejam elas tocadas de uma forma anti-celestial ou não, atua como o complemento exato para aquilo que se ouve ou sente (consultar e acompanhar letras).
Outro aspeto que achei curioso (e já não é a primeira uma vez) é a forma como conseguem usar a distorção das guitarras, escutem com atenção a “Apokatastasis Pantôn” ou a “Wings of Predation” (por ex) e vejam se não notam ali uma sonoridade bem ao estilo do Carlos Paredes?
Estranho?
Talvez sim talvez não, mas é nestes curtos pormenores que este album é grandioso, na forma como brinca com a musica atual de todos os generos ou estilos, os viola, disseca, espalha, repete e junta de novo como se a musica não fosse mais do que um quadro de beleza (num sentido literal) sinistro e horroso e onde DsO são apenas a ponto mais infinito daquilo que ouvimos nos dias de hoje.
Perfeito?
Deixo ao vosso criterio…mas por enquanto continuem a olhar feitos burros para o palácio.

Comentários

Comentar