Sintam-se avisados!

A literatura é um talvez um dos tipos de arte que mais nos recompensa assim que digerimos um livro. No entanto, a literatura é, por muitos de nós, relegada para um terceiro ou quarto plano, em detrimento de um disco ou um filme. E porquê? Talvez por ser algo que nos exija mais, mais tempo e mais concentração.
Não vou ser hipócrita, apesar de me interessar por literatura é muito mais fácil para mim falar sobre o Abbey Road, o The Dark Side Of The Moon, o A Love Supreme, o Kid A ou o Unknown Pleasures, assim como do Le Mepris, do 2001: A Space Odyssey, do Smultronstället, doou do Zerkalo.
As artes interessam-me e os clássicos também. No entanto, admito que nunca li nenhum Dostoyevsky, Shakespeare, Joyce, Baudelaire, Mann ou Tolstoy.
Sendo assim, o meu escritor de eleição pode parecer-vos uma escolha nada óbvia ou até duvidosa.
Falo-vos de Chuck Palahniuk,um autor contemporâneo, que escreve obras como ninguém.
Os seus personagens são sempre transgressores, desiquilibrados, neuróticos e viciados, são pessoas que vivem á margem, muitas vezes tornando-se quase caricaturas, de tão extremos e vincados que são. O mundo em que vivem é um mundo sempre desencantado e teimam em dançar no abismo.
Apenas conheço os primeiros 5 livros de Palahniuk, todos traduzidos em português e facilmente encontrados nas grandes cadeias de livros. Os seus títulos são:
Fight Club – será mesmo preciso dizer alguma coisa sobre este? É o livro que inspirou um dos filmes das nossas vidas. Um personagem (nunca lhe sabemos o nome), luta contra a insónia e conhece Tyler Durden (personagem mais fixe de sempre) e com ele cria um clube insólito de porrada como terapia de choque. As coisas tornam-se demasiado sérias e acabam por implodir.
Survivor – Tender Branson está no cockpit de um avião e decide contar-nos a sua história, que ficará gravada nas caixas negras. É um dos poucos sobreviventes de um culto religioso que cometeu suicídio em massa dez anos antes e a guiar-nos-á por uma das histórias mais delirantes de sempre. O filme foi cancelado assim devido ás semelhanças com o 11 de Setembro.
Invisible Monsters – Este foi rejeitado por ser demasiado doentio e só foi editado após o sucesso de Fight Club. Conta-nos a história de uma mulher desfigurada e de Brandy Alexander, a transexual que a acompanha. É um livro sobre o mundo da moda e da superficialidade da sociedade de consumo.
Choke – também já foi transposto para a grande tela e conta-nos a história de Victor Mancini, um homem que para ter dinheiro para cuidar da mãe doente, vai a restaurantes e simula que se engasga usando as pessoas que o ajudam para o suportarem monetáriamente. Esta história entra por caminhos de conspirações e até o pénis de um famoso entra na história.
Lullaby – Este foi o primeiro a entrar pelos caminhos do terror e do sobrenatural e marca uma certa viragem na literatura do autor. Seguimos Carl Streator um jornalista que segue casos de morte súbita em crianças, sendo que o seu filho também faleceu dessa maneira. Contudo, pode haver uma explicação para todos esses casos…

Palahniuk é niilista até dizer chega, é original quanto baste e as suas histórias são completamente alucinantes. A juntar a tudo isto temos a sua escrita que foi considerada pós-moderna ou minimalista e é rápida, destrutiva e pungente, como podem perceber ao verem o Fight Club.
Esta é a minha contribuição para a divulgação da literatura, agora ler Palahniuk é convosco…

Já agora, que clássicos recomendam?

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