Sons ditam lugares frios

Num país distante, cujo nome continua a ser desconhecido por muita boa gente, reúnem-se 4 homens de origem indígena trajados com vestidos de cetim. Os Huun-Huur-Tu foram os responsáveis pela mediatização mundial do termo xöömei (canto da garganta/throat singing). Participaram em bandas-sonoras para filmes, numa jam session com Frank Zappa e com Nina Nastasia. Estes oriundos da República Socialista Soviética Autónoma de Tuva conseguem colocar-se na pele de um animal com características próprias aonde a natureza pintada com florestas boreais é primazia da inspiração. Os instrumentos tradicionais raros (igil ou ikili, khomus, doshpuluur e tungur) fortalecem uma das maneiras mais antigas de fazer música. Têm a capacidade invulgar de reproduzir mais do que uma voz grave e aguda cantada e soprada ao mesmo tempo, convergindo onomatopeias com “sons mimeticamente transformados em representações musicais”. Este canto gutural abrange todas as disciplinas da técnica vocal que muitas vezes confunde-se com o som de um baixo que rosna o drone. Dos meus álbuns preferidos consta o The Orphan’s Lament. Imaginem-se no meio do trânsito numa cidade cheia de intolerância, ao ouvirem o Orphan’s conseguem abstrair-se e remeterem o vosso corpo para outro espaço.

Outro exemplo do “canto da garganta” é a canadiana de Nunavut com raízes esquimó Tanya Tagaq que marcou uma colaboração fantástica com o quarteto Kronos e participou com a Björk no Medúlla. Quando fala nem parece que é capaz de reproduzir sons tão ritualmente brutos e animalescos.
É um mundo por descobrir.

 

Comentários

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  1. ::Andre::

    Eu adoro estes convidados, sem eles o tasco não teria interesse :)