Taking the long way home… while listing (I).

Esta brincadeira de ir a sítios esquisitos só para ver bandas que ninguém conhece e beber cervejas de marcas que depois não nos conseguimos lembrar não é sempre tão glamorosa como parece. Se é que alguma vez o chega a parecer. Envolve detalhes como longas viagens aborrecidas por sítios onde o terreno pode parecer a superfície de Mercúrio ou esperas passivas em terminais de transportes públicos piolhosos à espera do próximo veículo piolhoso para o próximo destino piolhoso. Ou algo assim, mas com menos parasitas capilares, entusiasmei-me um bocado aí na descrição.

É aí que entram os hobbies, ou, pelo menos, pequenas actividades que previnam a morte cerebral espontânea. Obviamente que há sempre música aos gritos nos fones de ouvido, e que já quase li mais livros em aeroportos do que propriamente sentado em casa, mas fora esses normaizinhos, há ainda um vício que se perpetua já há uns anos, e que acaba por se entrelaçar com a própria música – a elaboração de listas. Quem alguma vez leu o meu blog semi-morto (de onde gamei ali a imagem do cabeçalho) ou até a própria LOUD! (“os tops do JCS“, está lá escondido, mas existe) já deve ter percebido que listas é a minha cena. As habitualmente tornadas públicas são as que têm alguma ligação à música, e será isso que vai acontecer aqui também, por muito que gostasse de vos submeter ao meu top 10 de maiores atrasos de voos em Crapwick ou aos 10 motoristas de taxi mais desagradáveis da Holanda.

Portanto, também para ajudar a fazer render o peixe – o grande André já vos terá informado que vou andar aqui a ajavardar o estabelecimento até ao Amplifest, e assim de cabeça isso são mais 6as feiras do que festivais esquisitos onde já fui – de tempos a tempos vou-vos deixar uma listinha alusiva ao post anterior. Para hoje, as 10 melhores bandas islandesas da actualidade, lista para a qual contribuiram decisivamente as minhas presenças no Eistnaflug, onde descobri boa parte delas, e de cujas melhores já vos falei brevemente antes. E depois disto, prometo que me calo com a Islândia. Cross my heart and hope to die.

1. SÓLSTAFIR

Parece a escolha óbvia do ouvinte superficial, tipo mandar os Moonspell ao ar quando se fala de Portugal, mas o mérito reside precisamente no facto de que eles aguentam perfeitamente o primeiro lugar mesmo depois de se conhecer todos os outros habitantes musicais fascinantes da nortenha ilha vulcânica. Uma evolução estrondosa que tem no decisivo ‘Masterpiece Of Bitterness’, de 2005, o seu momento crucial, fê-los passar de uma banda de folk metal extremo, já no entanto com alguns toques bastante invulgares, para o colosso de rock atmosférico, triste mas surpreendentemente épico e evocativo que são hoje. Capaz de coisas arrepiantes como esta:

Para além disso, são a única banda da lista que já tocou em Portugal, em finais de 2010. Estiveram lá?

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2. BENEATH

Um monstro do death metal que tem tudo para ombrear com os nomes fortes do género actualmente, tanto em palco como, finalmente, discograficamente. Os Beneath primeiro bateram-nos com ‘Hollow Empty Void’, EP de 2010, e agora acabam o serviço de esmagamento com ‘Enslaved By Fear’, um dos melhores discos do ano dentro do estilo.

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3. GONE POSTAL

Uma banda a quem só falta mesmo um longa-duração novo (que está quase concluído) para confirmar a excelência que tem demonstrado em palco. Perante um juri internacional, venceram as Wacken Metal Battles deste ano da Islândia, e estarão neste momento a fazer as malas para o grande festival alemão da próxima semana, onde irão submeter o vasto público ao seu black/death sufocante, dissonante, negro e altamente viciante.

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4. ANGIST

Apenas com um EP gravado, mas com um potencial infinito: um par de guitarristas femininas que é uma autêntica fábrica de riffs lancinantes, uma delas acumulando ainda funções de grunhidora de poderio avassalador, os Angist já estavam por esta altura na capa da Revolver ou uma qualquer dessas azeiteiras, se fossem americanos. Felizmente, ou infelizmente, depende da perspectiva, não são, e por isso vai ser preciso cavar um bocadinho mais fundo para os apanhar no radar. Mas vai valer a pena.

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5. MUCK

Hardcore gritado, descontrolado, cheio de sludge e sujidade e putos lunáticos aos saltos. É o tipo de banda que tanto imaginamos a tocar no Milhões, como no SWR, como no Amplifest, por outras palavras. Onde quer que haja barulheira, eles servem.

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6. CELESTINE

Uma das bandas com maior internacionalização desta lista, os Celestine apareceram no boom do post-metal aqui há uns anos, e resultam de uma miscelânea de influências como Isis, Burst ou Black Sheep Wall, cheios de atmosfera, berreiro e angústia. Têm um álbum novo, self-titled, gigantesco, que urge descobrir. No facebook deles, diz “Crasy Fucking Heavy Chaotic Industrial Metal from Iceland,” e quem somos nós para discutir com isto.

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7. HAM
São os pais espirituais desta gente toda. No meu primeiro dia na Islândia, em 2011, enquanto olhávamos para o cartaz do Eistnaflug do ano passado, o Addi dos Sólstafir fez-me parar de comer o hamburger a que dedicava toda a minha atenção para me falar dos HAM durante largos minutos, tempo no qual utilizou a expressão “a melhor banda de sempre da Islândia” várias vezes. Apesar de não termos, naturalmente, a ligação umbilical e devoção genética que todos os músicos islandeses têm por eles, são, de facto, invulgares, até pelo seu percurso, com algumas separações e hiatos pelo meio. Também o facto de nunca terem gravado um disco de estúdio que seja considerado definitivo ajuda ao seu charme misterioso – o registo considerado pela própria banda como o mais importante é o álbum ao vivo ‘Lengi Lifi!’. Várias aparições em TV e cinema ajudaram a cimentar o seu estatuto de culto, e até há um documentário…

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8. MOMENTUM

Camaleónicos, os Momentum passaram ao longo dos anos de uma banda de death metal atmosférico (primeira demo de nome imparável: ‘Death To Christianity’), para um monstro de sludge à Neurosis (marcada pelo disco ‘Fixation, At Rest’ de 2010) para a encarnação actual que deve bastante aos últimos discos dos Mastodon. Parece que quando nos começamos a habituar, eles mudam. Contam agora com o vocalista/guitarrista dos Atrum na sua formação, ele que é um cantor extraordinário que ajuda imenso a melhorar as secções mais “sonhadoras” dos longos temas novos.

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9. ATRUM

O tal moço dos Atrum, Sigurður de seu nome, canta bem, mas rosna ainda melhor, o que é um requisito essencial quando se está no olho da tempestade como ele está quando actua com a sua banda principal. Os Atrum são black metal, mas não são lo-fi, de todo. Têm sobrevivido a algumas mudanças de formação e, como muitas das melhores bandas do país, só lhes falta mesmo cristalizar este talento todo num disco “a sério” que cumpra todas as promessas deixadas pelo feroz espectáculo de palco e pelo EP ‘Opus Victum’ do ano passado.

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10. SKÁLMÖLD

Um fenómeno de popularidade totalmente imprevisível – um bando de amigos, todos membros de várias bandas mais ou menos importantes no panorama islandês, nem todas de metal sequer, decidiu em 2009 fazer uma banda de folk metal por brincadeira, só para divertimento. Um ano depois sai o disco ‘Baldur’, e hoje em dia quase não podem sair à rua no seu país natal, e já tocaram por toda a Europa, seja em concertos em nome próprio, seja em festivais itinerantes temáticos.

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