Talk Talk

No dia seguinte ao concerto perfeito dos Ulver, tive a oportunidade de rever o O’Sullivan e se há coisa que não me vou esquecer desse jantar foi do facto dos seus olhos sorrirem quando, já não me lembro porquê, falamos dos Talk Talk. No dia seguinte googlei pelo “Laughing Stock” e nunca mais ouvi a banda com os mesmos ouvidos. Não tardei a comprar o original, não tardei a ouvir tudo o que havia para ouvir. E nem sequer é muito, a carreira destes ingleses durou cerca de dez anos, mas eu tinha para mim que os Talk Talk tinham um grande álbum pop – “It’s My Life” – e pouco mais. Esse disco foi realmente o que os catapultou para o seu sucesso (comercial), mas a banda foi muito mais do que meia dúzia de hits, basta ouvi-los a deixarem os synths de lado em “Spirit of Eden” e a abrirem os braços a uma nova fase mais experimental e jazzística. É verdade que na altura foi um fracasso, mas arriscar-me-ia a dizer que o pós-rock começa aqui em 1988 e não em ’94 quando Simon Reynolds inventou o termo motivado pelo “Hex” dos Bark Psychosis. Ouçam o primeiro tema, a pedra estava lançada. Voltando atrás, aliás à frente, é pelo último disco – o já mencionado Laughing Stock de ‘91 – que estou verdadeiramente apaixonado. Faço play durante três ou quatro vezes aos cinco minutos e trinta e três segundos de “Myrrhman” e só depois vou avançando pelo álbum fora, todo ele uma “obra de assombrosa complexidade e beleza imensa”. Um disco que mistura rock, jazz, clássica, ambiente e que na altura estava muito à frente do seu tempo. Hoje continua a ser uma obra-prima não reconhecida…… até ao momento em que o ouvimos.

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