These Old Puritans

Falar do Laughing Stock, o inclassificável álbum terminal da carreira dos Talk Talk, tem sempre um de dois efeitos possíveis sempre acompanhado de um revirar dos olhos:

— O de quem não conhece e acha que os Talk Talk são uma banda dos anos 80, com alguma pinta, mas nada além disso. Neste caso segue-se um: “Tens mesmo, mesmo, mesmo de ouvir e logo de seguida ouve o álbum a solo do Mark Hollis que são os álbuns mais perfeitos de sempre”.

— O de quem conhece, confirma de que é um das maiores conquistas musicais das últimas décadas, e pergunta que outros álbuns conhecemos a este nível.

No primeiro caso são raros os casos em que ficam indiferentes à sugestão, no segundo caso até há uns meses atrás eu sugeria que além do Spirit of Eden e o de Thomas Feiner & Anywhen não conhecia mais nada que chegasse sequer perto.

O lançamento do Fields of Reeds dos These New Puritans em 2013, o meu álbum preferido do ano passado, passou a ser a resposta óbvia para quem procura uma experiência ao mesmo nível do Laughing Stock. É um álbum que não é imediato, pode soar demasiado low-key nas primeira audições e pode ter uma voz que despista muitos ouvintes, mas que se assume como a única obra musical que desde o primeiro acorde soa a um clássico jazz/rock/modern classic/electrónico incontornável para os próximos anos.

A cada audição parece que sempre fez parte sempre da nossa vida. A estrutura do álbum alterna entre os temas mais orelhudos, que roubam a atenção na primeira audição, e os temas intermédios verdadeiramente low-key encharcados de uma sensibilidade invejável.

Já não me lembrava de ouvir ininterruptamente um álbum cujos temas favoritos variarem sistematicamente a cada audição. Podem começar com os incontornáveis Fragment Two ou o V(Island Song) ou Organ Eternal. O sweet-spot do álbum é a dupla Nothing Else/Dream que desagua no épico Field of Reads.

Por saber que este tipo de álbuns ao vivo precisa de uma roupagem séria não ia com muitas expetativas para o concerto dos TNP no passado dia 26 de Novembro no Hard Club. O que assisti (com não mais do que outras 50 pessoas) foi como ter Prodigy+The Young Gods+Talk Talk+ Radiohead+Waterboys+Massive Attack+Arve Henriksen+Sigur Rós+Steve Reich tudo no mesmo concerto: Irrepreensível e fez-me pensar 2x se não devia ir a Londres ver o concerto com a orquestra completa.

Música feito por perfeccionistas, absolutamente indispensável.

These new Puritans @Collectables
Talk Talk @Collectables

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