Ulver – Shadows of the Sun [2007]

Se há algo a que os Ulver nos habituaram desde sempre foi a esperar o inesperado. O percurso desta entidade é tão peculiar e singular que se torna redundante tentar compará-los a outros projectos ou tentar enquadrá-los dentro de algum género. Têm sido exímios exploradores de diversas paletes sonoras e artífices de ambientes envolventes e intrigantes, que em Shadows of the Sun conseguem ser particularmente arrepiantes. Muito mais intimista do que o esquizofrénico Blood Inside, podem-se notar inspirações na música clássica e em música de câmara. Logo nas primeiras notas do disco que seguem como em extensão cinemática de Svidd Neger numa toada muito frágil e serena, com um órgão em drone pesaroso a ser gradualmente acompanhado por orquestrações que ecoam uma melancolia arrasadora sob o comando da voz solene de Garm. Tal como a press-release anunciava muito “low-key, dark and tragic”. O 2º tema – All the love – introduz novas variáveis, nomeadamente o saxofone e a bateria, mas a panóplia de recursos usados é enorme e por todo o álbum vão surgindo pequenos apontamentos de diversos instrumentos de sopro, corda, percussão, teclas, e ruídos/efeitos electrónicos. A componente electrónica é bastante mais reduzida do que em trabalhos anteriores, e também usada muito subtilmente, como acontece com a contribuição dos glitches e white noises de Fennesz em Vigil. Mas são estes pequenos toques artísticos e as pequenas nuances que enriquecem e adensam as composições que assentam em fundações de concepção minimalista. Aquele Sax que conduz a soberba interpretação de Solitude dos Black Sabbath… Há muitos pormenores para descobrir, muitas texturas, muito sentimento, e também há classe, muita classe!

Comentários

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  1. ::Andre::

    andei indeciso durante uns tempos se o havia de sacar ou não e até agora está a ser uma grande surpresa. ainda não ouvi vezes suficientes mas é provável que daqui a uns dias venha aqui deixar um comentário do género “que grande álbum…”

  2. Pedro

    Excelente review Crest. Já sabes que adoro Ulver, pelo menos tenho mantido esta opinião ao longo das mutações sonoras da banda. Irei ouvir este disco e de certeza que vou gostar! m/

  3. Filipe

    Inda n aprendi a lidar com ulver, e so agora os comecei a ouvir, n conheço nada da sua fase black metal.Vou ter de dar mais atençao a este album e ao blood inside.

    Quanto a review do concerto de dimmu borgir, n tenho mt jeito pa escrever, e ultimamente a eng.civil n me tem dado mt espaço, ate curtia tentar escreve-la, mas de momento n consigo tenho msm mts trabalhos, pode ser que va a algum concerto interessante num futuro proximo e que voces na e quem sabe eu possa dar o meu contributo.

  4. João

    a fase black metal tb e boa :) ha uma cena portuguesa muito inspirada em ulver, arcturus etc..do ivo conceição ja nao sei se era os biogeneticsun se outros k nao me lembra o nome depois confirmo :)

  5. Crestfall

    pedro: ai de ti que não gostes :-p

    biogeneticsun? Nunca ouvi falar :-s

  6. Crestfall

    E vão editar o 1º álbum e tudo.

    Influences: Lovage, Blasted Mechanism, Portishead, Ulver, Arcturus