"Uma das melhores do terceiro mundo"

“Os cartazes estão espalhados por toda a cidade. É impossível não reparar neles nas estações de metro e nas páginas inteiras de jornais a anunciar o concerto, amanhã, no Pavilhão Atlântico, em Lisboa, de alguns dos maiores nomes do hip hop internacional: 50 Cent, Sean Paul, Akon, Busta Rhymes. Mas o espectáculo não se realizará. Será adiado para 2 de Fevereiro.”Vamos hoje mesmo emitir um comunicado”, garantiu ontem ao DN Henrique Miguel, responsável pela Casa Blanca, produtora de espectáculos com sede em Luanda, Angola. “Amanhã teremos anúncios nos jornais com a nova data.”O adiamento não é novidade para quem acompanha a indústria de espectáculos em Portugal. Por exemplo, Paulo Sardinha, promotor da Universal portuguesa, editora de 50 Cent, há muito que sabia que o músico de Get Rich or Die Tryin’ não iria estar em Lisboa em Dezembro: “Temos a informação do management de 50 Cent de que ele não vai estar cá”, garantiu ao DN. Não se percebe é como é que se anuncia um concerto sabendo que ele não se realizará.Já no dia 11 deste mês, a mesma produtora organizou um “grande” Festival de Hip Hop. “O Atlântico vai encher”, assegurava na altura Henrique Miguel ao jornal Público. Mas não encheu. Foram vendidos apenas quatro mil bilhetes, dos quais 800 foram devolvidos quando, na noite do concerto, um anúncio à entrada do Pavilhão avisou que os dois cabeças-de-cartaz – Busta Rhymes e Sean Paul – não estariam presentes. “O Sean Paul perdeu o avião e o Busta foi preso no aeroporto de Nova Iorque por porte de arma. São coisas que acontecem em concertos em todo o mundo. Devolvemos o dinheiro a quem quis”, assegurou ao DN Ciro Cruz, produtor dos espectáculos da Casa Blanca em Portugal.O concerto de dia 11 terá sido lamentável, testemunhou o crítico do Diário de Notícias, Davide Pinheiro, que no seu texto denunciou “um imenso vazio de música, público e organização”. Apesar do fracasso, duas semanas depois há um novo evento de hip hop na agenda. Ciro Cruz, novamente produtor, esperava ontem “a qualquer momento” uma confirmação: “Tenho os hotéis reservados, as carrinhas a postos. Se eles vierem, está tudo pronto para os receber.”Mais uma vez, não virão. A meio da tarde de ontem, Henrique Miguel, conhecido em Luanda como “Riquinho”, confirmou ao DN o cancelamento do espectáculo “por questões de agenda”: “50 Cent está em estúdio e esperava ficar livre até ao Natal mas afinal isso não aconteceu.” Apesar da deficiente ligação telefónica , Henrique Miguel disse que não poderia ter desmarcado o concerto mais cedo e garantiu que todo o cartaz anunciado vai estar em Lisboa em Fevereiro (informação que o Pavilhão Atlântico não podia ontem confirmar). Os bilhetes já comprados serão válidos.A nova data não deixa descansado quem já desconfiava dos cartazes com fotografias de baixa qualidade (os artistas têm geralmente fotografias autorizadas para promoção) e de, pela segunda vez, os nomes dos principais músicos estarem mal escritos. Também deu nas vistas o facto de o site da Casa Blanca, “a maior companhia de espectáculos de África, uma das melhores do terceiro mundo” (www.casablanca.ebonet.net) não fazer qualquer referência ao evento e de o número de telefone que aparece nos cartazes (supostamente da promotora HLM) estar constantemente desligado. Será que, da próxima vez, 50 Cent, Busta Rhymes e Sean Paul vêm mesmo ao Atlântico? A ver vamos.”

in DN.

Comentários

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  1. Crestfall

    :-s

    “O Sean Paul perdeu o avião e o Busta foi preso no aeroporto de Nova Iorque por porte de arma. São coisas que acontecem em concertos em todo o mundo.”

    LOL

  2. PoisonGodMachine

    E eu que até já tinha comprado bilhete… sim, eu sou hip-hop!… NOT!!!

  3. Melancolia

    Cóitado do Busta. Já nem armado se pode andar num abião… “Tudo normal”

  4. Anonymous

    LOOOOOOOOOOOOL
    há gostos para tudo. Mas quando eu vi o cartaz deu-me uma imensa vontade de rir. Na compra do bilhete, oferta de um cd “Força Angola”.
    Pena tenho, do jornalista. Estar tanto tempo no Pav.Atlântico para só ouvir yo-bling-yo-bling deve ser uma daquelas torturas ao alcance de um Jigsaw.