Visão DOOMundo: Deliciosamente Depressivo

Porque é que gostas de música depressiva?

Eis uma questão que tantas vezes me colocam…
Sinceramente não possuo uma explicação credível para tal e nem me parece viável procurar essa explicação, uma vez que, tal como as partículas, gosto de permanecer aleatório.
No nosso universo musical, existe espaço para uma variedade sensorial infinita, derivada de mensagens e de ritmos musicais. Quando procuro algo depressivo usualmente não me sinto depressivo e o mesmo aplica-se aos momentos mais alegres, ou seja, de forma analítica posso dizer que tenho em mim implementado um pêndulo estatístico que limita superiormente o meu estado alegre e limita inferiormente o meu estado depressivo. Louco? Sim claro… e vocês não o são?
Tudo está conectado ao tipo de atmosfera que sinto necessidade de viver em determinado momento. O resultado de tudo isto conectado é maioritariamente positivo e momentos inspiradores e criativos surgem naturalmente.
Passando da teoria à prática, eis de seguida alguns trabalhos musicais que eu caracterizo como sendo “Deliciosamente Depressivos” dentro do cenário Metal. Espero que vos sejam úteis e aguardo por recomendações vossas.

ColdWorld – Melancholie2

Como se refere o próprio nome da banda e do álbum, trata-se de uma sonoridade fria e melancólica. Depressive Black Metal que se baseia num choque entre uma onda atmosférica e uma onda nostálgica. O resultado é simples: o frio.

Mournful Congregation – The Book of Kings

Apesar de este não ser o meu álbum de eleição, trata-se do mais recente (2011) e é uma excelente aposta. Estes senhores da Austrália são parte integrante de um círculo de metal obscuro proveniente das terras do didgeridoo. O som deles é recheado de influências tribais e folclore sob as marchas fúnebres macabras. O meu álbum de eleição é o “The Monad of Creation”.

Esoteric – Paragon of Dissonance

Mais um excelente álbum de 2011, os Esoteric são uma banda especial, pois desligaram-se da linha primitiva do Funeral Doom e seguiram novos caminhos, sendo que cada vez mais se caracterizam por ser… Esoteric Doom Metal. Banda consistente com este excelente álbum que nos remete para as fantasias do esoterismo, cuja magia é… negra.

Tyranny – Tides of Awakening

Meus amigos, este álbum é monstruoso. Perigoso para almas mais delicadas, completamente desaconselhável nos momentos menos bons do nosso quotidiano (quase parece que estou a falar de uma bad trip de uma qualquer droga!).
Não há muito a dizer, repetitivo, depressivo, ameaçador, arrastado, intenso, arrasador, ouçam!

The Funeral Orchestra – Feeding the Abyss

Apesar de o nome remeter para o Funeral Doom e apesar de alguns o catalogarem desta forma, para mim esta banda traduz a perfeição do cruzamento de diversas ondas musicais e coloca as tags musicais todas na reciclagem. Talvez a melhor descoberta musical que obtive neste passado recente.
Tal como alguns dos trabalhos que mencionei atrás, este som é também ele arrastado, repetitivo, obscuro e tribal, mas de alguma forma completamente distinto e mais “acessível” na medida em que tem o seu próprio referencial e não será propriamente fácil encontrar algo minimamente semelhante.

Comentário

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  1. André

    “Todos nós nascemos loucos. Alguns permanecem.”

    Continua a ser louco e a ouvir o que te apetece, mas vou-me surpreender se um dia te ouvir falar sobre um disco que saia completamente deste espectro onde te sentes mais confortável. Quanto às tuas sugestões, o frio também aquece.