Visão DOOMundo: Influência Kerouac

Este fim de semana fui dar uma volta pelo centro e decidir que deveria comprar um livro. O objectivo passava pela compra de um livro que me proporcionasse um sentido de aventura, de ilusões para quebrar a rotina de uma vida rotineira. Deparei-me com este livro de Jack Kerouac, Pela Estrada Fora (“On The Road“) que, apesar de já o ter lido duas vezes, esta versão é a orginal, daí o termo “Pela Estrada Fora – O Rolo Original“. Fiquei um pouco na dúvida em o comprar ou comprar um outro livro que nunca tivesse lido, mas optei por comprar este mesmo. Quando o comprei, fiquei convencido de que o comprei por causa do facto de se tratar de uma versão original e primária da obra de Kerouac, no entanto, quando cheguei a casa percebi que o comprei devido ao facto de que no passado eu emprestei este livro a alguém (que não me devolveu e que já não me recordo quem foi…) e, como tal, esta compra deve-se claramente à necessidade que eu tenho em possuir este objecto. Mais do que um livro, é algo que eu necessito de ter por perto, pois sei das capacidades e da compatibilidade que esta obra tem com a minha forma de sobreviver neste mundo.

Li este livro pela primeira vez com 18 anos e foi este livro que estimulou a minha tendência “mochileira” e de viver a vida sob uma aventura constante. A minha incessante busca de emoções fortes deriva bastante desta obra de Kerouac, assim como de um outro livro dele que também aprecio imenso: Os Vagabundos do Dharma (“The Dharma Burns“).

Para além das aventuras e diálogos alucinantes que Kerouac transmite em suas obras, algo que me encantou e encanta é a sua descrição do ambiente dos clubes Jazz que ele frequentava e que descreve uma geração passada que os EUA conheceu. Nos dias de hoje soa um pouco estranha a associação de um clube de Jazz com momentos de loucura e festa. Pelo menos na realidade que eu conheço. Será que ainda existem essas noites loucas em clubes de Jazz? Em Chicago? New Orleans?… Pelo mundo e estrada fora? Lembro-me que no passado existia uma noite de free-jazz no ESMAE, ainda existe?

Uma outra informação relativamente a este tópico é o facto de que, aparentemente, o filme baseado nesta obra vai finalmente acontecer…

E vocês? Qual o(s) livro(s) que vocês sentem a necessidade de o possuir e ter sempre por perto?

“The only people for me are the mad ones, the ones who are mad to live, mad to talk, mad to be saved, desirous of everything at the same time, the ones who never yawn or say a commonplace thing, but burn, burn, burn like fabulous yellow roman candles exploding like spiders across the stars and in the middle you see the blue centerlight pop and everybody goes ‘Awww!’” – Jack Kerouac

Comentários

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  1. jorge silva

    Gostei bastante de ler o “Pela Estrada Fora” e, tal como tu, “Os Vagabundos de Dharma”. Infelizmente ainda não tenho a edição “rolo original” – fica para um dia destes.
    Quantos aos livros que não largo e aos quais volto sempre: “A nossa necessidade de consolo é impossível de satisfazer” do Stig Dagerman, “As Flores do Mal” do Baudelaire e “A União do Céu e do Inferno” do William Blake.

  2. philtrips

    Jorge, vou ler esse livro de William Blake. Fiquei muito interessado em ler Stig Dagerman quando te ouvi a ler na noite do concerto de Altar of Plagues.

  3. Pedro Nunes

    Vários artistas/bandas, começaram a aproximação à música a partir das interpretações possíveis da poesia/literatura…

    Um invento Amplificasom interessante seria unir malta pera recitar textos de diferentes tipos e ter músicos diversos a improvisar por cima. Tudo gravado e vendido em cd-r… ;)

    Voltando ao artigo e comentários, boas sugestões de leitura sem dúvida.

  4. André

    Filipe, senti o mesmo que tu. Tenho uma edição antiga do livro e quando vi a nova passou-me pela cabeça em adquiri-la. Mais que um impulso consumista, foi sim essa vontade de ter o objecto por perto. Isto também me acontece com filmes ou discos e há mesmo alguns (discos) que tenho em cd e vinil.

    Pedro, tudo é possível até teres a SPA a estragar-te a noite. De qualquer maneira, já tivemos duas leituras: a já mencionada do Jorge Silva em que leu Stig Dagerman e o Eugene Robinson antes de Aluk Todolo. É algo a repetir, sem dúvida.

  5. André

    Romanticamente falando, queremos fazer parte dessas noites loucas em Nova Orleães ou Chicago, mas a verdade é que as mesmas podem acontecer aqui no nosso Porto. O problema é que este tipo de programação é feita por espaços elitistas e em salas sentadas. Não me esqueço, por exemplo, de um tipo que foi expulso de um concerto do Brötzmann por ter assobiado e gritado tal era a excitação.

  6. vera

    embora pareça mal nestes tempos do infeliz twilight e quejandos, um dos meus livros preferidos continua a ser o “Dracula” do Bram Stoker, que reli muitas vezes e sempre com prazer, assim como muitos de Dostoievsy, cuja intensidade sempre me surpreende e delicia. Kafka e Tolkien, also, my precious…

    na esmae, há jamsession – http://www.facebook.com/esmaejam. serve?

  7. Filipe Santos

    André, não fazia ideia da existência desse filme, vou ter de o ver. Aconselho-te claramente a comprar o livro, é bonito e necessário :)
    Vera, essa Jam Session, pelo menos na altura que a frequentei, foi o mais próximo que eu tive das loucuras dos clubes de Jazz, tenho de investir nisso. Que tal invadirmos esse evento?