Visão DOOMundo: O inevitável Roadburn


Quem me conhece e lida comigo sabe que é inevitável a abordagem deste tema, o Roadburn
Sei que se trata do festival mais falado por estes lados, sei que sou só mais um a abordar este tema, mas é inevitável e quero somente passar a minha visão deste festival, até porque recentemente fiquei a saber que não será possível marcar a minha presença nesta fabulosa edição de 2012.

Liderado pelo mestre Walter, este festival conta todos os anos com um cartaz underground de luxo inigualável no planeta (enfim, existem aproximações, mas…). Para além das diversas bandas que lá passam, a atmosfera que o envolve é única, quase como que fosse uma atmosfera de pessoas enamoradas que possuem objectivos e trajectos semelhantes. Recordam-se dos concertos no Porto-Rio e/ou Fábrica de Som (não querendo desvalorizar os restantes locais)? Pois bem, o Roadburn é a cerimónia que reúne indivíduos que frequentam esses mesmos ambientes, oriundos dos mais diversos e estranhos locais do planeta. Desde o metaleiro de negro ao hippie colorido, toda a gente simpatiza com toda a gente e todos “lutam” para que esta atmosfera seja possível.

Claro está que há um detalhe, para além das bandas e da atmosfera geral criada pelas pessoas, que contribui para a magia estar completa, que é a Holanda. Tilburg é daquelas cidades pequenas, tipicamente holandesa, que nos faz sentir estar num conto de fadas de forma mais fácil e eficiente do que muitas das drogas que circulam por aí! Tilburg e Roadburn são inseparáveis, a parceria perfeita  que jamais poderá ser derrubada, ou então, tudo isto acabará…

Na minha primeira ida em 2010, fiquei no parque de campismo e a atmosfera local seguia a base da descrição que falei até ao momento, de facto o mais próximo que eu tive de uma atmosfera Stoner e, se tivesse de atribuir o nome de uma banda ao referido parque de campismo, seria Goatsnake ou Kyuss.

No que diz respeito aos concertos e respectivas salas, a minha sala de eleição é a bat cave, a sala menor cujos concertos são os mais intensos, mas as restantes salas, como seriam de esperar, são todas elas exemplares, aliás, tudo neste festival é exemplar. Nas duas edições que eu fui o Midi-Theatre já estava envolvido no festival e, apesar do controlo de entradas que proporciona sempre muitos atrasos, é uma sala fantástica que proporciona uma interligação fabulosa, um corredor de roadburners entre dois espaços em plena cidade de Tilburg.

Em 2010 os concertos que mais degustei foram: Goatsnake, Los Natas, Yob (2x), Eyehategod (2x), Bohren & der Club of Gore, Ahkmed, Monkey3 e Sons of Otis. Nem o Sr. Eyjafjallajoekull conseguiu estragar o festival (se bem que tive de voltar de autocarro numa viagem de 30 horas…). Para além dos concertos, também a conexão com os roadbuners de Portugal e da Europa valeram muito.

Em 2011: Wardruna, Ufomammut (orgasmo lusitano no decorrer deste concerto), Evoken, Sourvein, Pentagram, Blood Ceremony, Rwake, Quest for Fire e Acid King.

Este ano não vou e sinto uma depressão absoluta porque faltam ainda 15 meses para a minha próxima ida, no entanto, sinto já a ânsia pela contagem decrescente, pela acumulação de bandas no cartaz, pelo investimento em sim mesmo. Tenho mesmo muita pena de perder Bongripper!

No fundo, o Roadburn é uma paixão.

Fica de seguida a primeira das 4 partes de um resumo/documentário acerca da edição Roadburn 2010.

PS:  atribuo estas palavras também ao nosso querido e memorável Amplifest.


Comentários

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  1. Filipe Santos

    Ah! Eu acredito que estarei com o André na edição 2013!

  2. João Pereira

    SUMA e BONG foram um estrondo, mas ver Goatsnake ao vivo foi algo de outro mundo.

    Ir de comboio de Tilburg-Roterdão-Paris, e aqui saber que havia greve geral dos CF franceses, tendo que ir num autocarro até Barcelona também foi inusitado.

  3. Filipe Santos

    João, tiveste aí um belo trajecto! Mas conseguiste viajar no dia seguinte? Eu ainda esperei 4 dias! mas não me queixo, estar na Holanda é incondicionalmente bom.
    André, é um mix desses 3 factores aliado ao facto de que a armada luso-roadburner ficará completa com a tua presença (:

  4. André

    Filipe, vamos lá combinar isso e para o ano estaremos lá \m/

    Vi Bong em Inglaterra, que grande concerto!!!

  5. S.Quartin

    Em 2010 também fiz Utrecht-Roterdão-Paris-Toulouse e em Toulouse apanhei avião para Lisboa (deu para “trocar” com a viagem que era inicialmente de Amesterdão-Lisboa). Viagem de 24h sozinha, +200€ em comboios, um semestre inteiro para o maneta, mas valeu a pena.

    É mesmo um festival fantástico, com um ambiente muito especial. Relembrar as últimas duas edições fez-me contorcer um bocadinho porque falta tanto para lá voltar. É uma pena que finanças + IST-que-nunca-mais-acaba me vão impedir de ir este ano (e no próximo). Ainda bem que temos o Amplifest :).

    André! Marca também no calendário o RB’14.

  6. João Pereira

    Filipe: sim, como no sábado de manhã cancelaram os vôos, tratei logo de comprar bilhetes de combóio (com a preciosa ajuda do pessoal que me acolheu via couchsurfing).

    Comprei o dito bilhete tilburg-roterdão-paris, mais o de paris-barcelona (que foi um tombo, pois já só havia vagas em “camas”, e que esgotaram na mesma tarde).

    Quando cheguei a Austerlitz vi que o meu quim tinha sido cancelado e caíram-me os colhões no chão. Fui tentar desenrascar-me no balcão de informações e disseram que a Renfe ia providenciar ligação de bus para substituir o combóio, que sempre se proporcionou.

    No dia seguinte cheguei a Barcelona, mas um amigo meu ainda ficou na Holanda, foi para a Bélgica no dia seguinte e só voltou para Portugal na quinta-feira à boleia com um emi-tuga que o deixou em Évora e ele ainda teve de voltar para o Porto. Lulz.