Church of Ra

Poster designed by Dehn Sora - adapted by André Coelho

CHURCH OF RA:
AMENRA
TREHA SEKTORI
OATHBREAKER
HESSIAN

17/04/2014, QUINTA (véspera de feriado)
HARD CLUB, PORTO

Bilheteira/ Portas da Sala 2
20:00
Hessian
20:30 – 20:50
Oathbreaker
21:05 – 21:50
Treha Sektori
22:05 – 22:30
Amenra
22:50 – 23:50

Bilhetes à venda na AMPLISTORE, Hard Club, Louie Louie, Piranha e Matéria Prima.
15€ até 1 de Fevereiro
18€ de 2 de Fevereiro até ao dia do evento

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Génesis
É impossível negar que a devastadora aparição dos Amenra na edição de 2012 do Amplifest deixou marcas: há até quem jure que o desespero lancinante dos gritos de Colin Van Eeckhout ainda ecoa, qual alma penada, pelas paredes do Hard Club; e que se perscrutarmos atentamente o chão da sala, encontraremos pequenos pedaços de cinza ainda fumegante. Mas, acima de tudo, da negra tempestade causada pelos belgas continua viva a memória em todos os afortunados que a presenciaram.

Diz o calendário litúrgico que a 17 de Abril os Amenra estarão de volta ao Porto e ao Hard Club –de novo em data única no país – e trarão consigo os compatriotas Oathbreaker, Hessian e Treha Sektori. Juntos, pregarão a infame doutrina da Church of Ra, o colectivo artístico multidisciplinar que integram. Oremos, portanto.

O Evangelho segundo Amenra

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Se dissecarmos a trovoada apocalíptica invocada pelos Amenra, podemos concluir que a recente entrada da banda na família Neurot foi, muito mais do que uma adopção civil, um encontro com a ascendência biológica: um esqueleto calcificado pela escola do hardcore, o músculo putrefacto mas possante do sludge e uma epiderme marcadamente atmosférica e metafísica constituem traços genéticos inconfundivelmente herdados dos seminais Neurosis. Os Amenra acrescentam a esta fórmula um pendor ainda mais acentuado para a escuridão e para a asfixia, que fazem questão de sublinhar com uma entrega absoluta e assustadora a cada nota da sua música.

O Evangelho segundo Oathbreaker

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Há dois anos atrás, com o disco de estreia Mælstrøm, os Oathbreaker provavam ser possível – e proveitoso – aliar a fúria hardcore em ponto de atropelo a la Converge a uma enraivecida mas graciosa figura feminina na linha da frente. O novo disco Eros|Anteros adiciona nuances certeiras de pós-rock, shoegaze e black metal a essa cáustica fórmula e eleva os Oathbreaker à categoria das bandas donas de um som único e inimitável. A vocalista Caro Tanghe amplia também o seu registo e deixa agora antever um pouco do seu lado mais frágil, mas desengane-se quem duvidar da saúde do seu poderio bélico; quando a missão atribuída é a de cuspir as letras como estilhaços sobre os riffs – ora gélidos, ora prenhes de groove – das guitarras e sobre o pânico blastbeat da bateria dos Oathbreaker, Caro continua a cumpri-la sem ponta de piedade.

O Evangelho segundo Hessian

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Em cada religião se encontra uma facção extremista a ela associada e a Church of Ra não constitui a excepção a esta regra. Os Hessian personificam a violência em estado bruto e cada um dos seus temas é uma selvagem luta de punhos entre os blastbeats e os riffs peganhentos que oscilam entre o crust, o hardcore, o doom e o thrash. Num concerto em que apresentarão o mais recente disco Mánégarmr – editado pela mítica Southern Lord – os Hessian prometem instigar a desordem no Hard Club.

O Evangelho segundo Treha Sektori

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A maneira mais efectiva de sublinhar um extremo é exibindo o contraste com o extremo oposto. A passada lenta e serena da música de Treha Sektori poderá ser vista à luz de fazer um contraponto à violência crua dos seus pares Amenra, Oathbreaker e Hessian – mas não fica a dever a nenhuma delas no capítulo da escuridão a que se presta. O projecto a solo do francês Dehn Sora navega pelas águas mais negras e ritualistas do ambient e do drone e agarrará pela sua solenidade toda a atenção dos presentes na celebração da Church of Ra no Hard Club.

Aquilo que presenciámos na sala 1 do Hard Club, não foi apenas um concerto: foi uma total entrega e ritual que tivemos o prazer de assistir por parte dos Amenra. O palco de uma simplicidade total, era completamente iluminado pelos deliciosos vídeos que estavam a ser projectados, que davam ainda uma maior intensidade ao rito que se estava a presenciar. Os belgas não são apenas uma banda de metal: têm o sentimento do hardcore, a imprevisibilidade do sludge e a força do down-tempo. Tudo isto misturado e o resultado é cada alma a ser intensa e musicalmente dilacerada a cada segundo que passa. Colin van Eeckhout, quase sempre de costas para o público, e companhia foram imponentes e magistrais. Com o sufoco que lhes é muito característico assistimos a obras-primas irrepreensivelmente replicadas como foi o caso de Razoreater, De Dodenakker, Am Kreuz ou Dearborn and Buried (música que será lançada no mais recente álbum da banda Mass V), onde a voz enraivecida de Eeckhout ecoava (e certamente ainda ecoa) nas nossas mentes. Ficou a ideia que o concerto foi curto, mas para aquilo que se assistiu ali, depois daquela total entrega, é quase certo que os Amenra não conseguiam tocar mais. Foi perfeito.
in Arte-Factos

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