A Nossa Necessidade de Poemas é Impossível de Satisfazer

há uma distância enorme medida
pelo comprimento de um braço, pelo toque
de uma mão, o sabor
de um beijo, o som
de uma palavra.

uma distância de muros
invisíveis, gestos contidos
pela densidade da não-
aparente solidão.

uma distância árctica nos olhares,
na falsa altivez com que
nos cruzamos a dissimular
a nossa fraqueza.

há uma distância descrita na
melancolia de um dia
de outono, na trajectória das
folhas
em
queda.

uma distância impossível
de cruzar e que se acentua nesta
fria idade do mundo
neste lugar de olhares
mais longínquos, mais
frios.

 

 

originalmente publicado em: As Vozes do Abismo

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