Only lovers left alive

Um Jarmusch é sempre um Jarmusch. Ponto. Mas, um Jarmusch com Josef van Wissem e White Hills, projectos que passaram pelo Amplifest 2012, é um Jarmusch ainda melhor. Espero.

O nome do realizador americano não é raro neste blog, há inclusive um texto do Miguel Arsénio (2009) que gosto muito: “Os Limites do Controlo”, filme pós-rock.

Aguardemos pela estreia…

Uma longa estrada para lugar nenhum

Viram o vídeo? Esta jarda abre o último disco dos suiços Zatokrev, disco esse que foi editado em 2012 via Candlelight (!) e, se me permitem, banda essa que a Amplificasom teve o prazer de colaborar naquela que foi também a primeira vez em que nos unimos à enorme SWR para uma excelente noite na Fábrica de Som. Estávamos em Abril de 2008, o Myspace ainda se destacava, os Oblique Rain (que é feito deles?) faziam a primeira parte… Poster aqui, não me lembro de haver fotos.

Passaram no Porto para apresentar Bury the Ashes e é com The Bat, The Wheel And A Long Road To Nowhere que regressam aos discos cinco anos depois. Cinco anos, cinco pacientes anos que podiam ter atirado a banda de Frederyk Rotter para fora do radar. No entanto, foram pacientes a trilhar o caminho que visualizaram, souberam crescer e essa maturidade permite-lhes esperar os grandes palcos (veja-se os Neurosis a fazerem o convite para a primeira parte de alguns concertos).

Bem, o que interessa partilhar é que este é um grande disco. Auto-intitulam-se como sludge-apocalypse, conseguem ter uma ideia por aí. Mas não se fiquem pela ideia, não é suficiente, há que ouvir um disco destes. Perfeito tecnicamente, perfeito a jogar com as emoções, perfeito a transmitir a mensagem. Não se trata da descoberta da pólvora, trata-se sim de um álbum honesto, coeso do início ao fim e cheio de boas malhas. A long road to nowhere? Duvido, pelo menos por aqui já é um dos favoritos.

O que me chateia: quero o LP, mas o artwork não convence…

É bom amplificar novamente por aqui.

Eu diria que é mesmo muito bom. Quase 3 anos após o tópico final na minha estreia por estes lados, esta foi a semente para os meus canais no Youtube & Youtube2 e posterior blog Collectables onde coloco desde então tudo o que me parece valer a pena colecionar ou que não existe pelas internets.

Após quase 4 milhões de visualizações, espero aqui fazer um apanhado do que mais fundamental passou por esses espaços e tudo o resto que possa valer a pena. Se quiserem intervir estão mais do que à vontade, os comentários são para isso mesmo.

Obrigado André, pela segunda oportunidade.

Guestlist

Adriano, Emanuel, Francisco, Miguel, Pedro, Susana e Tiago. Uns vocês já conhecem (regressam pois não conseguimos estar muito tempo afastados), outros estreiam-se (finalmente!) e vão deixar marcas.

Os nossos convites baseiam-se acima de tudo em nos rodearmos de malta porreira e sabermos que vamos aprender com eles, mas que fique claro que pretendemos que se divirtam aqui no blog. Incentivamos ainda que escrevam quando e sobre o que quiserem, que façam deste o seu próprio espaço de discussão e devaneios.

Obrigado a todos por terem aceite, é um prazer.

G O D F L E S H

Jorge Silva

(se não recebem no e-mail)

Olá a todos,

Mais do que uma banda, os GODFLESH são uma instituição. Se há alguns anos nos perguntassem se um dia poderíamos partilhar este sonho convosco, rir-nos-íamos mesmo sem nunca deixar de sonhar. Passaram no primeiro Amplifest (foto em cima de Jorge Silva), arrepiaram-nos, fizeram-nos acreditar que os sonhos são possíveis e, quando se fala de música, queremos partilhar estes raros momentos com quem mais gostamos.

Começou oficialmente o nervoso miudinho, afinal esta é a semana que Justin Broadrick e GC Green tocarão em Portugal pela primeira vez em nome próprio. Os horários:

23 DE MAIO, QUINTA
SANTIAGO ALQUIMISTA, LISBOA
PORTAS 20:30
RA 21:30
GODFLESH 22:30

24 DE MAIO, SEXTA
HARD CLUB, PORTO
PORTAS 20:30
SEKTOR 304 21:30
GODFLESH 22:30

E por falar em Amplifest…… Bem, boa semana e até quinta e sexta nos concertos do ano!

Estágio:

Bastaram os primeiros acordes da Like Rats para perceber que ali se estava a fazer história. Godflesh, mentores de Streetcleaner, são um marco incontornável para qualquer pessoa adepta destas sonoridades e podemos dizer que são os pais de bandas como Isis e provavelmente muitos de nós nunca imaginámos que iríamos conseguir viver isto um dia. Naquele que decidimos eleger como o melhor concerto do festival, pudemos ouvir temas como Spite ou Avalance Master Song. Épico.
Cláudia Filipe in Arte-Factos

O risco de cair num insípido anacronismo é elevado, quando, em 2011, se escreve sobre o concerto de uma banda reactivada dez anos depois de cessar actividades e duas décadas após ter lançado as suas magnum opus. Ou melhor: seria elevado, caso a banda em questão não fosse Godflesh.
Como Scott Kelly, membro dos Neurosis, certo dia afirmou, o maior feito de um criativo é alcançado quando a sua arte subjuga a imparável e temível maré do tempo. É quando ela se desprende da mais asfixiante corrente de todas. É quando ela obtém a imortalidade. No panteão daqueles que conseguiram essa recompensa, a maior de todas, figura Justin Broadrick, a mastermind que alimenta o férreo esqueleto de Godflesh.
Não é difícil perceber o porquê. Ouvir Like Rats, faixa de abertura do incontornável Streetcleaner, a eclodir de rompante numa expectante Sala 1 do Hard Club faz tanto sentido neste final de Outubro como faria numa obscura cave de Birmingham, em 1989. Godflesh fez-se nascer a partir da desilusão, da opressão, da sujidade e da corrupção que tendem a proliferar na sociedade ocidental e essas características perpetuam-se irremediavelmente. Combatendo-as, o som de Godflesh também.
É por isso que ver Justin Broadrick a gritar “Screw you and your world”, com as veias do pescoço salientes, numa amaldiçoada Avalanche Master Song é algo actual. O público portuense sabe-o e corresponde ao inigualável groove de G.C. Green no baixo e às pancadas certeiras de uma singular drum machine com acentuados movimentos corporais. Alinhados pelo mesmo comprimento de onda, fãs e banda deixaram fluir tudo aquilo que tinham guardado dentro de si há tempo demais – afinal, esta foi a primeira vez que os Godflesh visitaram Portugal. Por entre várias faixas de Streetcleaner, ouviu-se uma tríade retirada de Pure: Spite, Mothra e a música homónima do álbum lançado em 1992 colocaram o Hard Club a suar como até então não se tinha visto no Amplifest. Quando Justin e G.C. pousaram a guitarra e o baixo, dirigindo-se para o backstage, foi fácil perceber que ainda haveria mais, já que o Mac permaneceu ligado.
Assim foi. A veemente Crush Your Soul devorou o que restava da energia concentrada na Sala 1 e Slateman conduziu todos os presentes para um hipnótico final. Já com G.C. Green fora do palco e com a drum machine silenciada, Justin Broadrick recordou-nos o porquê de ali termos estado para testemunhar Godflesh e não só. Resumindo o Amplifest, explicando um estilo de música e justificando todo um estilo de vida, o britânico enfrentou o seu amplificador durante vários minutos, num diálogo onde a distorção serviu como expressão máxima. Uma distorção que teima em mostrar que há muito, muito mais para lá do simples ruído – o que é, ao certo, é de impossível transcrição: as melhores sensações desta vida não têm tradução vocabular.
Emanuel Pereira in Ponto Alternativo

Até já,
AMPLIFICASOM

Sid and Nancy (1986), de Alex Cox

“Sid e Nancy” conta a história verídica de um relacionamento muito estranho, pateticamente infeliz e terrivelmente desastroso de dois indivíduos terrivelmente auto-destrutivos. Vagamente baseado no caso de amor volátil do baixista dos The Sex Pistols, Sid Vicious e a sua groupie americana, Nancy Spungen, o filme começa como qualquer outro romance de conto de fadas – o rapaz conhece a rapariga, as diferenças mantêm-nos separados, mas depressa eles se unem para viver felizes para sempre. Só que esta história começa com uma nota sombria e ficando progressivamente pior. A felicidade para sempre é pura fantasia, algo que em última análise só existe nas suas mentes. Mas, apesar de tudo isto, o amor e o compromisso com o outro é chocantemente genuíno e mais honesto do que o visto na maioria dos filmes de Hollywood.
Dirigido pelo realizador curiosamente não convencional, de muitas obras de culto, Alex Cox, o drama biográfico é um enfeite de bronze, cheio de imprecisões e feito principalmente a partir de conjecturas, mas isto faz parte da intenção de um argumento co-escrito por Cox, onde o foco deliberado é apenas sobre os personagens do título, e não sobre a história dos Sex Pistols, o vocalista Johnny Rotten ou o seu empresário Malcolm McLaren. Cox faz um óptimo trabalho ao manter Sid e Nancy como ponto focal em toda a história, enquanto que a música apenas parece surgir em torno deles, como a entrevista de Bill Grundy na TV e a performance da banda no rio Tamisa.
Deve ser dito, “Sid e Nancy” é um filme completamente escuro e obscuro sobre a curta vida de um ícone da música punk, preso numa espiral descendente, mas além disso, é um conto único e surpreendentemente comovente de um trágico romance. Ao longo o tempo, este drama biográfico de Alex Cox tornou-se um clássico de culto que capta o movimento punk-rock como poucos filmes o fizeram – antes e depois.

Filme
Trailer

Process of Guilt no Milhões de Festa

O primeiro dia começou logo em grande, com os eborenses Process of Guilt a terminarem a sua tour europeia – que passou pelo famosíssimo Roadburn – com FAEMIN na bagagem. Foi ao som dos primeiros acordes de Empire que se pode logo adivinhar que a tour tinha corrido bem e que os Process of Guilt vinham com a potência e energia que lhes é bem característica. A barreira sonora e as portentosas cordas vocais de Hugo Santos transportaram-nos para uma dimensão onde o tempo parou e o corpo obedeceu à cadência sonora que saía dos amplificadores. O concerto acabou com a já habitual FAEMIN, uma verdadeira obra-prima, que consegue arrepiar qualquer um.
in Arte-Factos

Depois da FAEMIN European Tour 2013 que terminou no TRIPS à Moda do Porto, os Process of Guilt vão arrasar Barcelos: 27 de Julho no Milhões de Festa.

Próximos concertos:
09-06 @ Santa Maria Summer Fest, Beja
27-07 @ Milhões de Festa, Barcelos

Russian Circles: o quinto

Uma das nossas favoritas já está a gravar aquele que será o quinto disco. Os Russian Circles encontram-se no Electrical Audio, em Chicago, e novamente com o produtor Brandon Curtis atrás da mesa. Aguardemos pelo dito cujo e, já agora, por mais um par de concertos…

Sons da Semana: Azymuth; Ash Borer; Dalva de Oliveira; Pan Sonic; Machinefabriek; Cyro Monteiro

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Azymuth – Águia Não Come Mosca (1977, Atlantic)
Este disco foi gravado em 1972 por um dos melhores grupos de música progressiva brasileira. Num país que a nível musical tem/teve quase uma palete completa de sons, outros nomes tornaram-se relevantes no chamado “prog” mais melódico, como por exemplo, Guilherme Arantes, Bacamarte, Boca Livre, A Bolha, Moto Perpétuo ou até os Novos Baianos, entre muitos outros. O estrutura deste trabalho acaba por ser o Jazz de Fusão, pautado por ambientes de outras galáxias, muito por culpa do sintetizador. Os ritmos vão-se ondulando num groove relaxado e o baixo assume aqui o par perfeito para os teclados, pelo meio ainda se ouve um ou outro apontamento mais “sambista” bem batucado (os Azymuth apresentavam-se como trio teclados/baixo/bateria). Apesar de ser discutível o facto deste disco ter envelhecido ou não com mais brio, a verdade é que estaremos sempre a ouvir excelentes músicos que chegaram a dar corpo a gravações de nomes como Tim Maia, MPB-4, Marcos Valle, entre outros.

 

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Ash Borer – Ash Borer (2011, Psychic Violence)
Os Ash Borer têm-se destacado como um dos nomes mais coesos do Black Metal actual. Dizer que aqui temos distorções de guitarra ásperas e sujas, acompanhadas por ambientes lúgubres que se vão cruzando com ataques rítmicos fulminantes seria redutor. Uma das coisas mais fascinantes no som dos Ash Borer é o facto de pegarem em diversas referências, Doom, Pós-Rock e alguma destreza técnica, sem abandonarem a identidade do Black Metal. O seu som é agressivo e primitivo, comparável a grupos como Wolves in the Throne Room, Deathspell Omega ou Gnaw Their Tongues e neste trabalho conseguem criar uma banda sonora que faz justiça aos melhores discos de Burzum ou Xasthur. O facto de optarem por edições em formato K7 faz sentido, até porque o seu som não precisa de imaculada pureza sonora para atingir os seus fins.

 

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Dalva de Oliveira – Dalva (1973, EMI)
Ouvir Dalva de Oliveira interpretar o “Hino ao Amor” de Edith Piaf ou “A Bahia Te Espera”, serve de consolo que alimenta a pequeneza que reside em cada um de nós, mas que nos permite viver um mar de experiências. A voz apaixonada de Dalva, que tem muito de Edith Piaf, consegue engrandecer-se em escalas melódicas como se de uma soprano se tratasse. Felizmente não chega a tanto, preferindo ficar-se pelo Samba-canção, ornamentado por arranjos orquestrais de proporções emocionantes. Aquela que foi homenageada como o “O Rouxinol da Canção Brasileira” tem aqui um reportório imune ao tempo, com histórias de amores e desilusões que nos tocam.

 

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Pan Sonic – Aaltopiiri (2001, Blast First)
A herança dos Pan Sonic continua a ecoar eficientemente por estes lados. São bem vindas as modelações de sons mecânicos, música minimalista, seja através da música Techno mais física, seja pela influência do IDM, de nomes como Aphex Twin ou Autechre. A indução que este trabalho provoca traz com ele alguns ruídos, ritmos hipnóticos, sintetizadores destinados a fazerem levitar melodias… Apesar dos Pan Sonic terem-se afirmado com um nome essencial para a chamada música Industrial, a verdade é que este disco é mais do que um trabalho de sucata sonora, fazendo ecoar no pavilhão sonoro dos auscultadores um som que nos transporta para uma realidade diferente, crua, negra, solitária. Um excelente exemplo do cruzamento de música ambiental com ritmos mais “dançantes”.

 

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Machinefabriek – Bij Mirjam (2004, Self-release)
Apesar do meu esforço de estar a preparar uma entrevista ao senhor Rutger Zuydervelt, torna-se um exercício bem suado acompanhar todas as edições e participações noutros projectos que ele tem vindo a fazer nos últimos anos. Dos vários trabalhos que poderia referir, uma vez que são vários os que gosto, como Dauw (2008) ou Vloed (2008), escolho o que ando a ouvir neste momento o pequeno EP, Bij Mirjam. Apesar da escassa informação disponível sobre o mesmo, resta-me ajustar as palavras aos sons e pelo caminho encontro tonalidades lavradas por drones que tanto nos obrigam a aumentar o volume para os sentirmos verdadeiramente, como se tornam mais abrasivos (ruidosos). Aqui é feita também a exploração de sons acústicos, de pormenores e objectos do dia a dia, assim como o som do piano que vai desmoronando lentamente, nota a nota, num som que tem tanto de caseiro como de inquietante, por revolver os silêncios e os ruídos de uma forma diria bonita/desconcertante.

 

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Cyro Monteiro – Senhor Samba (1961, CBS)
Como o próprio nome do disco indica, Cyro Monteiro escreveu o seu nome junto dos notáveis do Samba, juntando-lhe um requinte e bom gosto nos arranjos que tanto permitiu um passo para o jazz (com muito swing), como uma volta em torno da bossa nova. Estamos no início dos anos 60, onde juntamente com nomes como Elizeth Cardoso ou Ary Barroso, se foram traçando as linhas de um dos estilos mais maravilhosos de sempre, e que mais tarde serviram para que nomes incontornáveis como Jorge Ben, Chico Buarque ou Cartola gravem-se os clássicos da nossa vida. Música que se quer tanto quanto elogios à vida.

And Godflesh are, well Godflesh: The marriage of riff to machine, the sound of urban alienation, of a dead city collapsing in on itself…

I don’t remember every song Godflesh played and I can’t remember how long they played for, but from the moment they started to the last squelched-out note of the set, I, and roughly 3000 other people, got lost inside the raw beauty, emotional sting and overall gravitas of Justin Broadrick’s music and words. Godflesh’s set was easily one of my favorite performances of the festival.
in Decibel

Haino-san

De todos os músicos japoneses que conheço, Keiji Haino é o mais extraordinário. Trata-se de uma figura tão vital e fundamental naquilo que representa que a verdade é que pouco interessa a sua nacionalidade. Criou e faz parte de um universo muito próprio onde só ele o habita.

Apesar de bastante activo desde os setentas, o seu primeiro disco é editado em ’81, mais de 10 anos depois de ter começado a tocar ao vivo. Tempo semelhante a ver a luz do dia demorou o primeiro Fushitsusha, essa instituição e talvez o meu projecto preferido de Haino-San. Foi a partir de 1990, coincidentemente o ano 1 de Heisei – o início da nova era após a morte do imperador Hirohito, que começou a editar os seus trabalhos demonstrando uma prolificidade invulgar.

E tudo tudo o diferencia: a sua visão singular no que corresponde à música, a diversifidade das suas composições, a maneira como as interpreta… Curiosamente, tanto com Michel Henritzi como Peter Brötzmann, motivados pelo impacto que tem nas pessoas (não é tanto uma influência directa, é mais uma inspiração certamente), surgiram conversas interessantes sobre ele. Brötz, que partilhou o palco diversas vezes, dizia, aquando de um almoço à beira-mar que nunca me vou esquecer, que ia dar por terminado o Chicago Tentet completando a lógica de seguida ao afirmar o desafio que era subir ao palco com alguém como o japonês, que era esse tipo de momentos que o motivavam.

Aborda a guitarra de forma única, pessoal, determinada. Não há mais ninguém a tocar assim tão insossegado e ofegante, o próprio som emanado daquelas seis cordas da sua Gibson SG parece algo inantigível por qualquer outro ser. Gera um calor tão intenso que não só se queima a si mesmo como conduz todos aqueles que o acompanham a segui-lo entre as chamas do feedback.

A sua música é difícil de definir, tem um grande impacto no momento em que a ouvimos e torna-se indelével. Toca o que quer, toca sempre o que quer. Essa forma egocêntrica de estar perante o mundo faz parte. É certo que não quer saber se gostamos dele ou não, apenas não quer que o interpretemos mal. Acho que isso o insossega e esse insossego, essa busca pessoal de complexidade e intensidade fulminantes será o bálsamo para a sua alma.

Um poço de trabalho, nem aos 60 anos abranda um pouco e 2012 provou-o: o regresso completamente inesperado dos Fushitsusha com dois (!!) discos e duas colaborações com Jim O’Rourke, Stephen O’Malley e Oren Ambarchi. Para esta semana, recomendo-vos os quatro.

Fushitsusha – Hikari to Nazukeyo [Heartfast 2012]
Fushitsusha – Mabushii Itazura Na Inori [Heartfast 2012]
Keiji Haino, Jim O’Rourke, Oren Ambarchi ‎- Imikuzushi [Black Truffle 2012]
Nazoranai – Nazoranai [Ideologic Organ 2012]

A Tree of Signs: a nova vocalista

Depois da estreia em pleno SWR, os A Tree of Signs confirmam que a algarvia Diana Piedade é a nova vocalista da banda. Bem-vinda, Diana!

Roster Amplificasom: HHY & The Macumbas

Ruddy Candillon


Skull-Cave Dub! HHY & The Macumbas combinam uma barragem febril de percussões-ossos, sintetizadores eléctricos, sub-graves, massas de sopros e de eco, vibração e ressonância, através do sangue eléctrico da mesa de mistura. Ensemble de configuração variável que desde 2009 tem vindo a apresentar séries de operações sónicas, juntando os ataques de sopros com a pulsação percussiva, numa máquina eléctrica infernal que usa as estratégias do Dub para desvendar o espectro sonoro e os ritmos da selva mental.

Jonathan Uliel Saldanha, o cérebro por detrás do colectivo, é um dos génios contemporâneos. Colabora com Raz Mesinai, Mark Stewart, Steve Mackay, Mike Watt, Eyvind Kang, com Nyko Ripit tem os Fujako, com Adolfo Luxúria Canibal os Mécanosphère, faz parte dos Faca Monstro, foi convidado em Dezembro passado para trabalhar som no maior centro de astronomia no Chile e, entre dezenas de coisas, quando John Zorn viu e ouviu o seu novo trabalho para a Tzadik – Tunnel Vision, disse apenas isto: “A 21st century cult classic”.

Estamos super entusiasmados e apaixonados por esta colaboração. O que se segue: alguns concertos veraneios, o primeiro disco cuja distro mundial será feita por uma das grandes (ainda não podemos revelar) e uma tour europeia em Novembro.

Pura alquimia sonora.

Sobre o 7″ Legba/ Houmfort, único lançamento oficial até ao momento, foi dito:

Galloping percussion, soaring keyboards and dark atmospheres.
Stefano Isidoro Bianchi in Blow Up Magazine

Weirdly proportioned dub-macumba hybrid. Interesting and whacked.
Byron Coley in The Wire

Legba / Houmfort reconciles musical tradition and future. Driven percussion, driving bass, trumpet and a dash of psychedelic effects form the bases for these two almost ritualistic jams on both sides of this vinyl.
Hans Vanderlinden in Kindamuzik

(…) este disco é marcado por uma forte dramatização sonora, criadora de uma imagética muito própria; pesada; claustrofóbica; misteriosa. É quase sempre num frenesim controlado que o nosso cérebro se reajusta à situação, desajustando-se por vezes da razão. O que às vezes é bom. Muito bom.
RD in A Trompa

Vídeos:

Sons:
Legba In Dub (Wire Tapper, 2011)

Website
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Próximos concertos:
11-05 TXTR, Porto
25-05 Uneeded Conversations, Porto
09-06 Serralves em Festa, Porto
15-06 Shared Digital Futures, Vienna

Booking: booking@amplificasom.com

AMPMIX005


“Fazer uma “mixtape”- expressão já habitual para uma compilação de mp3 por oposição à velhinha cassete – com base naquilo que se ouviu durante 8000km tem tanto de ecléctico como de esquizofrénico. Há que contar com as malhas para conduzir, para dormir, para acordar, mas sempre para curtir! Mais estranho se torna quando se chega a poucas horas da partida e se constata de que todos se esqueceram do óbvio: música para ouvir durante a viagem. Assim sendo, aqui ficam 25 boas representações de pelo menos 25 álbuns que rodaram à exaustão. Não está representado tudo o que se ouviu, mas já dá para ficar com uma ideia aproximada do que a cada 70 ou 80 km surgia no leitor…”

AMPMIX005

Uneven Eleven cancelado

Estávamos super entusiasmados com este projecto, sobretudo sabendo que passariam por cá. Infelizmente, devido ao estado de saúde dos pais de Guy Segers, este terá que terminar a tour a 1 de Junho. Fica o desejo de uma futura oportunidade…

Amplificasom agencia: Ufomammut em Portugal e Espanha

É com enorme prazer e satisfação que partilhamos mais uma tour ibérica agenciada pela Amplificasom. Os italianos Ufomammut que passaram pelo Amplifest 2012 já são da família e regressam então a Portugal e Espanha para uma tour veraneia. Eis as datas:
24-07 Kafe Antzokia, Bilbao
25-07 Mareira Fest, A Coruña
26-07 Milhões de Festa, Barcelos
27-07 Moby Dick Club, Madrid
28-07 Rocksound, Barcelona

Godflesh em Lisboa: Santiago Alquimista

Em virtude do encerramento do Ritz Clube por motivo de obras, o concerto dos GODFLESH, agendado para o próximo dia 23 de Maio, passou para o Santiago Alquimista.

Os bilhetes já adquiridos são válidos para o novo local.

AMPLISTORE

I came this far and I ain’t going back no more

Disco para este dia que roda há semanas e semanas, disco para este dia que rodará o ano todo, disco que rodará uma vida inteira.
O Emanuel do Ponto Alternativo diz, caso eu tivesse o seu talento, tudo o que gostava de dizer:

É indesmentível que entre Monologue (2008) e Har Nevo há uma cabal longitude que os distancia. Se o primeiro medrou por entre as raízes do screamo europeu, de vistas postas nos contemplativos crescendos post-rockish, o segundo disco dos The Black Heart Rebellion conduz-nos aos pântanos onde conjuram as essências vanguardistas, dispostas a conduzir os belgas ao topo da cadeia daqueles que, pelos dias que correm, se dedicam a extrapolar limites.

Os cincos anos que intervalam os dois registos mostraram aos TBHR novas veredas a percorrer – e isso torna-se facto assim que Avraham, faixa de abertura, irrompe. A ofegante respiração de Pieter Uyttenhove, enlaçada a um jogo percussivo que se lança em nosso alcance, marca o tom de um disco que, daí em diante, não mais volta à superfície. A cada tema, um patamar é descido, avultando-se não só a penumbra, como uma inquieta aura; ouça-se Circe e encontre-se verosimilhanças com as perturbantes e atractivas atmosferas construídas por referências como Swans ou Neurosis.

O tom descaradamente folk das guitarras e a inclusão, até, de um bandolim, nunca deixam que Har Nevo abandone as florestas sugeridas pelo clip de Avraham. E, acrescente-se, há pouco que nos possa remeter sequer para a figura humana – neste trabalho, os The Black Heart Rebellion são figuras de um bestiário e não só não o renegam, como o comprovam na psíquica Animalesque. A percussão, essa, dificilmente poderia ressoar mais cerimonial, imprescindivelmente coligada a um Uyttenhove que parece encarnar o espírito apache de David Eugene Edwards, delineando paisagens sem vislumbres citadinos e resgatando o lado mais primitivo que em cada um de nós existe.

Dentro da colectividade artística Church of Ra, os Amenra, seus fundadores, estavam até agora descaradamente destacados das restantes bandas nela integradas. O sucessor de Monologue detém em si todas as qualidades para colocar os TBHR na dianteira do que de mais original se faz nesse recanto belga e, por consequência, em toda a esfera global da música alternativa. Reconhecendo-o, Colin H. van Eeckhout e Mathieu Vandekerckhove abençoam o álbum com os seus talentos no tema Ein Avdat, naquele que é um confesso apogeu de Har Nevo – disco que arduamente será destituído das suas divisas de soberano em 2013.

Inveja

Os japoneses Envy vão celebrar o vigésimo aniversário como banda editando uma impressionante caixa com 14 LPs, 2 DVDs e um booklet com mais de 100 páginas. Invariable Will, Recurring Ebbs And Flows será o nome da aventura e é limitado a 1000. A pergunta que se põe é: para quando a estreia em Portugal?

O Arte-Factos sabe

Com selo Amplificasom e Lovers & Lollypops o Trips à moda do Porto voltou para mais uma edição. Repartido entre o Plano B e o Café Au Lait assistimos a dois dias de concertos, que ainda nos fervilham na mente e mostram o quão ecléticas estas duas promotoras são.

Continua aqui.

FOMOS AO TRIPS E QUEREMOS REPETIR A DOSE

Amplificasom e Lovers. Bastariam estas duas palavras para vos convencer a juntarem-se ao Trips. Sim, sabemos que é de bom tom ser contra marcas e rótulos, mas falo de dois titãs da oferta cultural do Porto, uma cidade onde não há lugar para a Feira do Livro, mas há espaço para uma Sala VIP de culturalices à la carte em plenos Aliados. E, assim sendo, o trabalho constante destas duas promotoras começa a ganhar contornos de missão.

in VICE

Ritz clube fecha outra vez

Como as notícias correm rápido, informamos que nos encontramos neste momento, a três semanas do concerto, à procura da melhor solução possível para receber os Godflesh em Lisboa. Em momento algum abdicaremos da qualidade habitual, mas isto é Portugal no seu melhor e, para o bem e para o mal, o que nos distingue de outros ares…

Os bilhetes até agora vendidos para esta data serão válidos assim que confirmemos a nova sala. Mantenham-se atentos p.f.

Obrigado!

TRIPS: Eagle Twin + Marnie Stern

João Guedes

TRIPS à moda do Porto
25-06-2013, TERÇA
ARMAZÉM DO CHÁ, PORTO (Rua José Falcão, 180)
PORTAS 20H
EAGLE TWIN (2º piso) 21H
TBA* (1º piso) 22H
MARNIE STERN (2º piso) 23H

Os bilhetes custam 10€ e já estão à venda na AMPLISTORE e através do e-mail orders@loversandlollypops.net. Muito em breve estarão nas lojas Jojo’s/ Cdgo.com, Louie Louie, Piranha e Matéria Prima.

Como habitual, os concertos começarão a horas.

Evento no Facebook

Bem servido que está o de Abril, em Junho, continuando a apostar no ecletismo e bom gosto, o TRIPS acontece no Armazém do Chá.
EAGLE TWIN

Os Eagle Twin são feios, porcos, mas não fazem nada de mal. Bem pelo contrário, a forma como conduzem músicas pesadas e assustadoramente densas pelas frequências de apenas uma guitarra e uma bateria continua a ser tão intrigante quanto surpreendente. Acima de tudo, é factual: apenas dois e têm o peso de um mundo inteiro em cada riff. Com apenas dois álbuns a pesar na sua discografia, a falta de argumentos nunca foi uma questão para a dupla que no ano de 2012 assinou o seu segundo tento no formato longa-duração, The Feather Tipped the Serpent’s Scale, editado pela Southern Lord de Greg Anderson (dos Sunn O))) e Goatsnake). Resta saber se, com este regresso a Portugal, a sala aguenta com os gémeos mais avassaladores da música arrastada.

MARNIE STERN

A beleza de Marnie Stern tem como equivalentes, apenas, a sua destreza nas cordas da guitarra e a sua capacidade para fazer canções rock tão belas quanto hábeis nos pormenores técnicos. São ambas cativantes e difíceis de despregar o olho, por muito tempo que tenha passado desde que a norte-americana se estreou nos discos, em 2007. Este ano, mais madura, Stern volta com The Chronicles of Marnia, um atestado de juventude, onde mostra que não é só a sua silhueta que foge ao passar do tempo. O seu rock continua arrojado e despojado, e recusa-se a envelhecer. Esperemos que Marnie Stern também se recuse a envelhecer e fique por esse mundo tempo suficiente para nos embevecer.
Site · Facebook

*Para terminar, decidimos provocar e estimular todas as bandas e projectos que por aí andam e queiram fazer parte desta noite. A única regra é esta: enviar 3 temas apenas para amplificasom@gmail.com. Podem anexá-los ao e-mail ou fazê-lo via Wetransfer ou Dropbox, tenham apenas o cuidado de identificar o projecto. Expliquem-nos também porque querem fazer parte deste evento.
Apesar de toda a exposição e prazer, o TRIPS, em nome da Amplificasom e da Lovers & Lollypops, garante todas as condições que serão discutidas se forem seleccionados.
Prazo: 25 de Maio
Anúncio: 28 de Maio

+ info: amplificasom@gmail.com
Press: press@amplificasom.com / press@loversandlollypops.net

TRIPS de Abril: assim foi

Jorge Silva

Jorge Silva

Jorge Silva

Jorge Silva

Jorge Silva

Maria Louceiro

Maria Louceiro

Maria Louceiro

Maria Louceiro

Maria Louceiro

Maria Louceiro

Maria Louceiro

Maria Louceiro

Pink Floyd – The Wall (1982), de Alan Parker

Além de serem uma das maiores bandas de todos os tempos, os Pink Floyd são facilmente uma das bandas mais versáteis que já abalaram a face da Terra. Enquanto isto certamente que se aplica à sua música (“progressiva” e “rock psicodélico” são descrições quase completas), a versatilidade dos Pink Floyd vai muito além da excelente música que já tocaram ao longo das décadas.
Quase sinónimo do nome Pink Floyd, “The Wall” nasceu a partir de uma idéia de um álbum conceptual operático. No final de 1979, lançaram o duplo LP “The Wall”, uma sátira que mudou o mundo do rock’n roll destinada a um sistema de educação sádico e os efeitos pessoais de guerra. Este era o filho do baixista Roger Waters, já que ele concebeu o projecto em isolamento e escreveu a maior parte do material do álbum.
Em paralelo com a gravação de The Wall fizeram-se planos para criar um espetáculo elaborado e um filme-concerto, e enquanto o espectáculo em palco foi em frente, o filme começou a assumir um papel diferente. Já não seria um filme-concerto complementado com imagens dramáticas adicionais interpretadas por Waters, em vez disso, Bob Geldof foi escolhido como protagonista e o filme seria caracterizado por imagens não reais da banda. Gerald Scarfe (que ilustrou o álbum e fez as animações para espectáculo em palco) continuaria a ser o director da animação, no entanto, a realização ficaria entregue ao britânico Alan Parker, conhecido por obras como “Bugsy Malone”, “O Expresso da Meia-Noite”, ou “Fame”.
Como um dos maiores – senão o maior – álbuns dos Pink Floyd fornece a banda sonora, seguimos o pequeno Pink desde a sua juventude como um órfão de 5 anos de idade, com fome de contacto humano quando a mãe o deixa só no pátio da escola, segurando a mão de qualquer estranho que apareça por alí.
A grande ironia que Roger Waters trabalhou nesta obra foi o facto de que, se construirmos o muro para nos escondermos da sociedade é uma desvantagem, e de seguida, derrubando a parede deve ser a solução para uma vida gratificante. A banda-sonora do album predomina por todo o filme.

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