Slint forever


Hoje em dia o pós-rock está banalizado, é preciso vasculhar bem para encontrar as bandas do espectro que valem a pena. Mas não é só o espectro, a própria etiqueta também está gasta e é oferecida a qualquer som que não cumpra a fórmula A + B + A + B + C + B. Penso: como é possível que os Slint partilhem a mesma etiqueta que uns ____________ (inserir banda instrumental que menos vos agradem)? Algo não bate certo, não levemos (muito) a sério esta coisa de “etiquetizar”, mas não bate certo. Bandas como os Slint são a sua própria etiqueta, sempre soaram a eles próprios mesmo que o reconhecimento só tenha surgido com Spiderland (o Tweez também é brilhante).
Decidi partilhar este desabafo pois é a ex banda de David Pajo que roda por aqui neste dia cinzento e frio. Mas ex banda? Eles escreveram um novo tema aquando da reunião há três anos atrás… É deixá-los enterrados ou continuar a aguardar por um novo disco? Adoro esta foto. Quatro miúdos que se juntaram para se divertir e acabaram por formar uma das bandas mais marcantes. Quando viram que nada mais tinham para oferecer simplesmente pararam. Não é a coisa mais honesta do mundo?

Comentários

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  1. Pedro

    Tive com o Spiderland uma das primeiras reacções a um disco mais marcantes da minha vida… Uma daquelas epifanias em que pensamos que estamos a ouvir a melhor coisa de sempre. A curiosidade em ouvi-lo surgiu depois de ter visto que era considerado um dos álbuns criadores do pós-rock, mas na altura soou-me a algo completamente diferente e assim continua. É o meu disco preferido do género e provavelmente nunca deixará de o ser. Canções como "Washer" e "Good Morning, Captain" nunca deixam de me arrepiar.

    Realmente parece que voltaram a desaparecer depois da vaga de concertos de 2007. Tendo em conta o legado do Spiderland, acho que este é daqueles casos em que até ficaria com um pouco de receio de um álbum novo… Mas não há muitos concertos que gostasse mais de ver do que um de Slint.

  2. gangrena

    Eles são óptimos, conheci-os exactamente ao mesmo tempo que os Fugazi. Foi uma boa altura da minha vida(:

    É sempre pena quando páram de fazer coisas bonitas, mas às vezes é pelo melhor.

  3. ::Andre::

    Pedro, utilizei essa palavra – epifania – mas acabei por apagar…

    Gostava imenso de os ver ao vivo, mas em 2007 não fiz por isso.

  4. Joana Coimbra

    slint, polvo, bark psychosis, tortoise…acho que as bandas de post rock dos 90s devem ser as que mais valem a pena

  5. Neuroticon

    É sim!
    E fazes bem em relembrar que o Tweez também é um grande disco!
    O Spiderland é colossal!!!

  6. Carlos

    Demorei algum tempo a perceber a grandiosidade do Spiderland mas sinto-me muito recompensado.

  7. Nuno Teixeira

    Para mim, o tema "Good morning, Captain" é uma verdadeira obra-prima!

  8. Scapegoatt

    Não conheço a banda. Se são da decada de 90, nessa altura ouvia muito metal na sua pura essencia. Post-Rock só comecei a ouvir na segunda fase.

  9. Luis

    Para ser honesto, nunca gostei dos Slint – apesar de apreciar outros trabalhos dos vários músicos envolvidos.

    O principal problema foi sempre a exagerada contaminação grunge (ou pré-grunge ou que lhe quiserem chamar) que sempre senti na música deles.

    De bandas pós-slint dos membros gosto bastante dos The For Carnation, do Brian McMahan (tanto os EPs como o álbum homónimo) e infelizmente é uma banda que não ouço muito referenciada por aí.

  10. ::Andre::

    Luís, essa contaminação talvez seja um reflexo da época, não tanto da música em si.

    E já que a Joana mencionou Polvo, tive grande panca por eles e estranhamente ainda não ouvi o novo álbum…

    Vou checkar os japoneses que o Henrique sugeriu.