Whigfield 666


A língua portuguesa não está repleta de palavras começadas pela letra ‘V’ cujos significados não sugiram algo mais do que encrencas aflitivas. Começando por violência e vingança, existe também vulgar, vicioso, vilão, vítima, verme, vão, vil, vaidoso, vampiro, vago, vazio… a lista é longa e frugal em sorrisos.

Pois estava a ver este vídeo da minha adolescência quando notei um sórdido pormenor que, não sei como, deixei escapar nas enésimas assistências que lhe fiz. Deixem-me pois usar estas últimas linhas para descarregar o que sinto serem as minhas obrigações éticas neste espectáculo degradante e insidioso a que o mundo inteiro foi sujeito durante todos estes anos.
Foi uma estranha mistura de realidades que subitamente me submergiu nesta tarde, tornando a concentração difícil e estreitando o meu mundo a um anel nervoso ao redor das poucas seguranças que ainda sinto possuir. Durante a última hora mais de um milhão de memórias refugiadas atravessou a fronteira para o lobo frontal desde as zonas de pânico do córtex superior, tornando-se dolorosa e desgraçadamente claro que nunca me poderei jamais fiar na inocência do bubblegum e cor-de-rosa como redutos contra a perversão e o aviltamento.

Junte-se dois ‘V’ um ao outro e obter-se-á o duplo ‘V’ – o ‘W’ – o filho bastardo da anglicização da língua e da heresia: era só mais uma jovem loura ambiciosa e idealista, saídinha de fresco da explosão eurodance, que algures durante a viagem parece ter desenvolvido um gosto por bife e brutalidade.

As conclusões deixo-as para vocês, porque elas podem de facto mudar a vossa vida. Mas entretanto, e numa espécie de tradução livre e funcional – nos termos desta pequena relação maligna que o destino nos configurou – preparei esta prova que demonstra com clareza que a Whigfield foi desmamada na mesma teta feia que Satanás:

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