Hitler a dar voltas

Ainda não vi nenhum cartoon do Hitler vestido a rigor, cruz suástica incluída, sentado num sofá em frente à tv com um cachecol alemão no pescoço. A ver a sua Alemanha jogar, claro, Alemanha essa que 65 anos depois duma das histórias mais tristes da humanidade se tenta livrar dessa herança apoiando uma selecção multiracial e globalizada. Não estamos propriamente a falar dum brasileiro com 30 anos a ser naturalizado por falta de soluções da respectiva solução, mas sim jogadores multi descendentes maioritariamente nascidos no próprio país. Dos 23 que estão na África de Sul, 11 ainda devem fazer confusão a muita gente:

Aogo: filho de pai nigeriano e mãe alemã, nasceu na Alemanha;
Boateng: filho de pai ganês e mãe alemã, nasceu na Alemanha;
Khedira: filho de pai tunisino e mãe alemã, nasceu na Alemanha;
Cacau: avançado brasileiro que apenas se naturalizou em 2009, mas está na Alemanha desde os 18 anos;
Klose: nasceu na polónia, mas foi para a Alemanha aos 8 anos;
Podolski: chegou a ser recusado pela selecção polaca, optou por defender a Alemanha embora afirme constantemente que tem duas pátrias;
Marin: nasceu na Bósnia, mas mudou-se com os seus pais para fugir da guerra;
Ozil: esta revelação do mundial tem pais turcos, mas nasceu e cresceu na Alemanha.
Tasci: também filho de turcos mas nascido na Alemanha;
Trochowski: polaco de nascença, emigrou com os pais aos 5 anos;
Mário Gomez: pai espanhol e mãe alemã, nasceu na Alemanha.

Com a Holanda já na final, neste final de tarde nada mais me interessa a não ser uma grande partida de futebol. Se por um lado adoro o futebol apaixonante espanhol, por outro não ficarei desiludido a ver a Alemanha mais aberta de sempre desde que o muro de Berlim foi abaixo a chegar ao último e decisivo jogo da prova.