Free jazz em vinil


Descobri ontem que o próximo álbum do saxofonista alemão Peter Brotzmann será lançado apenas em disco de vinil, nada de CD. Para quem vive distante do polo EUA-Europa-Japão, essa não é uma informação muito animadora: importar um LP não é tão prático (e, às vezes, barato) quanto receber do exterior um CD ou um livro. Se a (gradual) retomada do mercado de vinil é uma feliz notícia para quem gosta do formato, por outro lado cria um problema novo: poucos lançamentos que são editados hoje apenas em LP chegam ao Brasil. As grandes lojas de discos daqui têm, aos poucos, ofertado alguns títulos: mas o processo é lento e bem mais caro do que o formato digital. Aqui no Brasil eu consigo pagar US$ 20, US$ 25 em um CD importado. Mas, dificilmente, acharei um LP (lançamento) por menos de US$ 50. E, nos últimos anos, figuras das mais importantes do free jazz (além de Brotz, Charles Gayle, David S. Ware, Mats Gustafsson) lançaram alguns títulos apenas no formato LP. Para quem está deste lado do Atlântico, tais discos tornam-se muito mais uma miragem do que uma possibilidade de consumo.

Há apenas uma fábrica de LPs em atividade no Brasil _tendo voltado à funcionar somente neste ano. Estava fechada desde 2007. Dessa forma, discos em versão nacional, mais baratos, são raros nesse momento. Na área jazzística, há muito tempo não é lançado um vinil… Para quem gosta do formato, resta procurar discos usados nos diversos sebos* espalhados pelas cidades. Com um pouco de sorte, dá para achar material de primeira, bem conservado, por preços razoáveis.

Mesmo na seara do free jazz, é possível, com muita paciência, encontrar algum vinil empoeirado e esquecido na estante de algum sebo. Infelizmente, em minhas longas peregrinações nos últimos anos, nunca tive a oportunidade de me deparar com um vinil de Brotzmann, Kaoru Abe, Frank Wright, Masayuki Takayanagi, Evan Parker. Mas sei que álbuns originais desses músicos são também difíceis de serem encontrados (e caros quando o são) aí na Europa. Digo Europa de forma ampla e genérica: aproveito e pergunto: como está o mercado de vinil em Portugal? O acesso a títulos novos é fácil? E o mercado de discos raros/usados?

*sebos é como são chamadas as lojas que vendem livros e discos usados.